Novidades – Reavivamento e Reforma

Graça é uma palavra com cinco letrasPosted: 07 Nov 2011 10:21 AM PST

Algumas das coisas mais importantes da vida estão tão próxima que deixamos de vê-las. Podemos passar pela vida sem nunca de fato “consegui-las”.
O mesmo ocorre com a graça. Com pesar, reconheço que foi necessário grande parte de meu ministério e vida para seguir o modelo de Paulo para os pregadores: decidir nada saber além de Cristo e este crucificado (1Co 2:2). Muito, muito mesmo, de meus sermões, ensino e artigos focalizavam o bom, mas não o vital.
Lembro-me de alguns sermões muito bonitos que talhei no início de meu ministério. Sim, trabalhei arduamente neles, arando os comentários, desenvolvendo a exegese, seguindo os modelos homiléticos da classe, inserindo ilustrações e citações, polindo as introduções, inserindo transições, praticando as conclusões. Muitas vezes escolhia passagens obscuras, revelando as riquezas da Palavra.
E, após a pregação, ouvia elogios. Eu esperava que eles recebessem a bênção, porque Deus pôde usar até mesmo um jumento para transmitir Sua mensagem. Mas, agora, deste ponto vantajoso, com meu longo, variado e imensamente gratificante ministério atrás de mim, confesso que penso em como ele poderia ter sido.
De alguns anos para cá, não consigo lhes dizer quando fiz a mudança, tenho focalizado na graça, em todas as vezes que sou convidado a compartilhar com as pessoas, quer pela palavra oral ou escrita. A mudança foi dramática: enaltecer o Jesus crucificado, ressuscitado, que está intercedendo e que logo voltará, sempre e continuamente tem abençoado as pessoas e refrigerado a minha alma. Em casa ou no estrangeiro, quer para milhares ou para um punhado de pessoas, jovens ou idosos, ricos ou pobres, a proclamação do Deus que nos ama com amor mais forte que a morte, que deseja estar conosco para sempre e que nada poupa para tornar isso em realidade, nunca falha.
Como levei tanto tempo para ver a luz? Por que a mensagem simples da graça traz consigo tão grande poder?
Porque imagino que quando enaltecemos Jesus, a pessoa do pregador diminui “à luz de Sua glória e graça”. Não mais sermões lindos e inteligentes. Não mais exposições aprendidas a respeito de passagens obscuras. Somente a incrível história da graça fora deste mundo.
O certo é que o Espírito Santo nunca deixa de tocar o pregador e as pessoas quando a graça é o foco. O trabalho do bendito Paracleto é testemunhar de Jesus, glorificá-Lo (Jo 14:26; 15:26; 16:13, 14). Alguns de nós gasta muito tempo pregando a respeito do Espírito Santo. Ótimo, mas simplesmente proclame Jesus, torne-O o primeiro e o melhor e, certamente, temos da certeza da presença do Espírito.
Em Jesus, a Palavra se fez carne. O amado apóstolo João escreveu que Ele era “cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14) e que a “graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” (v. 17).
Graça é uma palavra com cinco letras: J-E-S-U-S.
Ao logo dos séculos, alguns seguidores de Jesus viam a graça como uma palavra com quatro letras. Os judaizantes que foram à Galácia atrás de Paulo o atacaram amargamente e a sua mensagem de salvação como um dom puro. Martinho Lutero mexeu no vespeiro ao ensinar Cristo somente, a graça somente, a fé somente. Em 1888, os jovens pregadores E. J. Waggoner e A. T. Jones incorreram no ódio dos “irmãos” (não de Ellen White) quando argumentaram que a salvação é somente pela graça, e não pela graça mais a guarda da lei.
Hoje, alguns adventistas ainda são desconfiados a respeito da ênfase sobre a graça. “Graça barata!”, eles atacam prontamente. Mas não há nada de barato na graça: ela custou a vida do próprio Filho de Deus.
A graça vai contra a estrutura de nossa natureza. Temos o desejo de sermos capazes de reivindicar uma parte, ainda que ínfima. Nosso orgulho se rebela contra a ideia de uma dádiva absolutamente imerecida e, portanto, de forma sutil fazemos acréscimo à graça.
A distorção oposta é o esquecimento de que a dádiva faz uma reivindicação. Ela nos encontra na lama, mas não nos deixa lá. A graça transforma. A graça eleva. A graça capacita. A graça nos permite enfrentar as vicissitudes da vida.
A graça nos torna semelhantes a Jesus.
Assim sendo, meu colega pregador, convido-o a ter o mesmo insight que eu tive e que fui lento em aprender: em todo sermão, não importa o tópico: salvação, sábado ou santuário, torne a graça o ponto central. “Necessita-se da graça divina no começo, da graça divina em cada passo de avanço; só a graça divina pode completar a obra.” (A Maravilhosa Graça, p. 220)
———-

Willian G. Johnsson
Testemunhos sob ataquePosted: 07 Nov 2011 05:23 AM PST

Primeiro vêm as ideias discordantes, depois a dúvida e por fim a apostasia
Em Apocalipse 12:17, Satanás é apresentado na forma de um dragão que persegue a mulher, símbolo da igreja verdadeira. O motivo da perseguição é bastante claro: porque a igreja guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus. E de acordo com o próprio Apocalipse (19:10), o testemunho de Jesus é o “espírito de profecia”.Satanás perseguiu, persegue e continuará perseguindo a igreja, especialmente por causa desses dois pilares fundamentais. Ele tenta convencer as pessoas de que a lei de Deus é inadequada aos dias de hoje, que ela foi abolida, ou mesmo que a graça dispensa a lei. Mas se permanecemos firmes aos princípios da santa lei, Satanás intensifica seus ataques em outra direção: contra o testemunho de Jesus.

Quando não consegue destruir a fé na lei de Deus, o inimigo tenta com todas as forças e formas destruir a fé no espírito de profecia, nos escritos de Ellen G. White. Isso funciona mais ou menos assim: o inimigo ajuda alguns a terem uma interpretação diferente da igreja. Faz com que eles tenham certeza de que estão certos. Quando ele acha que atingiu o objetivo, faz o arremate: mostra à pessoa uma citação do espírito de profecia que diga exatamente o oposto do que ela está pensando. Nesse momento, ou a pessoa se humilha diante de Deus e estuda a Bíblia em oração, ou mantém seu posicionamento, desacreditando o espírito de profecia. Esse é um processo gradual que leva a pessoa a não querer nem mesmo ouvir alguém pregar ou falar sobre Ellen White. Cria-se uma aversão infundada.

Levar as pessoas a extremos também é uma tática amplamente utilizada por Satanás. Se há os que esposam ideias legalistas e radicais a respeito dos escritos do espírito de profecia, há também os que os ignoram por completo. Os segundos às vezes até fazem isso em função dos primeiros. Mas uma leitura cuidadosa e sem preconceitos mostra que Ellen White foi uma mulher equilibrada em tudo o que escreveu. Portanto, os que usam seus escritos de forma inadequada e sem a devida consideração para com o contexto e a época da profetisa apenas lançam sombras sobre seu ministério. Para “ajustar o foco” a respeito da vida e obra dessa mulher singular, vale a pena ler o livro Mensageira do Senhor, de Herbert E. Douglass, e mesmo o livreto Histórias de Minha Avó, de Ella M. Robinson, neta da Sra. White (ambos da CPB).

Embora saibamos que a Bíblia é nossa única regra de fé e prática, e que os escritos de Ellen White são, como ela mesma diz, uma luz menor que conduz à luz maior, a negação da inspiração de tais escritos é algo muito sério. No livro Mensagens Escolhidas, volume 1, página 48, está escrito que “será ateado contra os testemunhos um ódio satânico. […] Satanás não pode achar caminho tão fácil para introduzir seus enganos e prender almas em seus embustes se as advertências e repreensões e conselhos do espírito de profecia forem atendidos.”

No mesmo livro, à página 84, é dito que “uma coisa é certa: os adventistas do sétimo dia que tomarem sua posição sob o estandarte de Satanás, primeiramente renunciarão à sua fé nas advertências e reprovações contidas nos testemunhos do Espírito de Deus”.

O perigo das ideias especulativas 
 
É curioso notar como há pessoas que vivem à caça de ideias especulativas que invariavelmente tendem a desviar a atenção do que realmente é essencial. Encontram as mais esdrúxulas “revelações”, tanto na Bíblia quanto no Espírito de Profecia. Quanto a isso, também, a mensageira do Senhor é bem clara: “Não devem ser promovidas ideias especulativas, pois há mentes singulares que gostam de apegar-se a um ponto que outros não aceitam, e argumentar e atrair tudo para aquele único ponto, insistindo nele, ampliando-o, quando ele na verdade não é de importância vital e será entendido de maneira discordante. Duas vezes me foi mostrado que se deve conservar em segundo plano tudo o que for de natureza a levar nossos pastores a divergirem dos pontos que são agora essenciais para este tempo” (Ellen G. White, Carta 37, 1887 [Manuscript Releases, v. 15, p. 20-22]).

É de extrema importância, pois, que saibamos dar a “razão [de nossa] esperança” (1Pd 3:15), alicerçada em profundo conhecimento bíblico, pois, “ao vir a sacudidura, pela introdução de falsas teorias, esses leitores superficiais não ancorados em parte alguma, são como areia movediça” (Ellen G. White, Testemunhos para Ministros, p. 112).

Mais ainda: não basta um conhecimento meramente racional da verdade. É preciso experiência. A verdadeira religião desce da mente para o coração e impregna toda a vida, pois está baseada numa relação de íntima comunhão com Jesus. Ellen White diz que “estão rapidamente se aproximando dias quando haverá grande perplexidade e confusão. Satanás, trajado com vestes angelicais, enganará, se possível, os próprios escolhidos. […] Soprará todo vento de doutrina. […] Os que confiaram no intelecto, no gênio ou talento, não permanecerão à testa das fileiras e colunas. Eles não mantiveram seu passo com a luz” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 80).

A Bíblia nos adverte a estarmos bem firmados na Rocha e a sermos cuidadosos em nossas interpretações para não perdermos a coroa da vitória (Ef 4:14; Mt 7:24, 25; 2Pd 3:15-18; Ap 3:11). Devemos, acima de tudo, reconhecer o inestimável presente que nos foi legado por Deus por meio dos escritos inspirados de Ellen White, e utilizá-los em nossa edificação e na edificação do próximo. “Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos Seus profetas e prosperareis” (2Cr 20:20).

——-
Vanderlei Ricken é bibliotecário do IACS, RS; Michelson Borges é jornalista, mestre em teologia e editor na Casa Publicadora Brasileira.

Postagens relacionados:

  1. Reavivamento e Reforma – receita contra o enfraquecimento da fé Uma coisa é certa: Os Adventistas do Sétimo Dia que…
  2. Participe e ganhe prêmios! Uma das indicações de leitura sobre reavivamento e reforma é…
O sétimo dia é mais que um nome, é uma missãoPosted: 07 Nov 2011 05:21 AM PST

Cento e cinquenta anos atrás, decidimos que nos chamaríamos adventistas do sétimo dia. Na semana anterior a 1 de outubro de 1860, muitas discussões ocorreram na tentativa de encontrar um nome apropriado para este grupo de cristãos que compreendiam sua missão como uma resposta as três mensagens angélicas de Apocalipse 14. Parte dessas mensagens enfatizam que o povo de Deus, no tempo do fim, chamará toda a humanidade a guardar os mandamentos de Deus. “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Ap 14:12)*
Pouco depois dessa decisão, em 1860, Ellen White, em suas observações com respeito à escolha de nosso nome, notou que o nome Adventista do Sétimo Dia destaca “As feições peculiares e preeminentes de sua fé são a observância do sétimo dia e a expectativa da volta de Cristo nas nuvens do céu.”[1]
Aprendi a respeito do sábado, cerca de 34 anos atrás, enquanto assistia ao programa televisivo Está Escrito, na cidade de Quebec. Aprendi quando adolescente, ávido por conhecer mais a Bíblia e sua mensagem. Enquanto assistia ao Georges Herman explicar a Escritura, minha vida começou a mudar. De todas as novas doutrinas que aprendi, a do sábado mudou mais a minha vida.
Uma Mensagem Profética
Os primeiros adventistas compreendiam que o quarto mandamento é de especial interesse no plano de salvação de Deus. Certamente, a mensagem do primeiro anjo, em Apocalipse 14, cita-o ao anunciar ao mundo que chegou a hora do juízo de Deus e que a humanidade é chamado a adorar o Criador que “fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Ap 14:7)
Desde a criação do mundo, o sábado foi e segue sendo o dia especial de Deus. No final da semana da criação, Deus deu o sábado a Adão e Eva e à sua descendência como uma dádiva de descanso e sinal de Sua santidade (Gn 2:1-3).
Por ocasião do êxodo do Egito, o povo de Deus havia grandemente esquecido a respeito do sábado. Então Deus lhes deu os Dez Mandamentos. Deus colocou o mandamento a respeito do sábado no coração da lista para significar sua importância e papel na vida de lealdade e de obediência.
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Êx 20:8-11)
Nos últimos 165 anos os adventistas têm memorizado esse mandamento e ponderado a respeito de seu significado. Ele nos identifica também mais do que quaisquer outras crenças. Permanece no centro de nossa identidade adventista. Acima de tudo, somos adventistas do sétimo dia.
Uma Mensagem Memorial
O mandamento começa com o imperativo: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”. “Lembrar”. O que devemos lembrar?
O mandamento nos convida a lembrarmos em primeiro lugar que Deus é o nosso Criador. “Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Êx 20:11)
Nosso mundo existe porque Deus o criou. O sábado é um memorial da obra criadora de Deus. Em certo sentido, o sábado responde a uma das principais questões filosóficas de todos os tempos: “De onde viemos? De onde veio a humanidade?” O sábado nos lembra que somos filhos de Deus.
No livro de Deuteronômio, quando Moisés repetiu os Dez Mandamentos aos filhos de Israel, quase no fim de seus 40 anos no deserto, Ele deu um motivo para guardar o sábado, o fato de que Deus salvou Seu povo da escravidão do Egito. “porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado.” (Dt 5:15)
Nesse contexto, o sábado nos lembra que somos salvos pela graça, pela iniciativa de Deus, o Deus que é nosso Salvador. Ao descansar no sábado, demonstramos nossa confiança na salvação de Deus. Longe de ser um indício de salvação pelas obras, a guarda do sábado é um testemunho de nossa fé em Deus como nosso Criador e Salvador; a criação e a salvação são obras do poder e da graça de Deus.
Uma Mensagem Prática
O mandamento do sábado nos convida a nos lembrarmos que o trabalho é bom. “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra.” (Êx 20:9). Nesse mandamento Deus diz que há um valor intrínseco no trabalho. O trabalho foi ordenado por Deus no Éden quando entregou a supervisão da terra recém-criada a Adão e Eva. Sua responsabilidade era cuidar da terra, trabalhar no jardim, serem mordomos das dádivas de Deus a eles.
O trabalho faz bem aos seres humanos e o trabalho físico é ainda melhor. O trabalho fazia parte do plano original de Deus para os seres humanos. Porém, em nossa sociedade, algumas vezes depreciamos o valor do trabalho e super enfatizamos o lazer. O mandamento nos lembra de que a atividade humana é saudável e desejável.
Uma Mensagem de Descanso
Depois, o mandamento nos lembra que embora o trabalho seja bom, e parte do plano de Deus, o descanso é igualmente importante, o descanso no sétimo dia, o sábado. “Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus.” (v. 20)
Deus é nosso exemplo. Depois de trabalhar seis dias, Ele instituiu o dia de descanso e descansou. O mandamento é claro: a injunção se aplica a todos os membros da família. “não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha […].” (v 10) Em outras palavras, o descanso no sábado é para toda a família. Diferentemente dos demais dias da semana, o sábado foi separado por Deus para a alegria da família.
Mas, a fim de que não sejamos complacentes, Deus nos lembra que o descanso no sábado não é apenas para a família imediata. “não farás nenhum trabalho […] nem o teu servo, nem a tua serva.” Todos os empregados por quem somos responsáveis devem também ter esse dia de descanso.
O mandamento do sábado traz à tona várias questões sociais. Na verdade, o sábado é um memorial de um resumo social, ou seja, todos os seres humanos foram criados por Deus, e assim todos os seres humanos: senhores, servos, pais, mães, filhos e filhas, são iguais aos olhos de Deus.
O sábado nos lembra de nossa igualdade humana e social diante de Deus; todos fazemos parte de uma família, a família de Deus. Independentemente de nosso status social, quer tenhamos propriedade ou a aluguemos, quer sejamos ricos ou pobres, presidentes da empresa ou zeladores, todos somos filhos de Deus. No sábado não há classes, status, ou privilégios sociais. Deus ouve as orações e aceita o culto de todos Seus filhos.
No último grupo, Deus nos convida a recordarmos que no sábado: “não farás nenhum trabalho  […] nem o forasteiro das tuas portas para dentro.” (v. 10)
O sábado também é para o estrangeiro? O contexto do livro do Êxodo nos diz que por estrangeiros Deus se referiu aos não convertidos e aos não israelitas que faziam parte da multidão que havia acompanhado os hebreus quando saíram do Egito.
Naquela época era fácil para um grupo social dominar o outro, privar uma comunidade de estrangeiros dos direitos humanos básicos. Mas nesse mandamento Deus lembra Seu povo que Ele é o Deus de toda a humanidade, não apenas do povo hebreu.
Jesus também lembrou a Seus discípulos disso quando afirmou: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” (Mc 2:27). No aramaico, a afirmação de Jesus é: “O sábado foi feito para Adão”, significando todos os seres humanos. Aqui também há um aspecto social nivelador do sábado. Diante de Deus, todos os seres humanos são iguais e todos merecem descansar no sétimo dia. O sábado nos convida a pensarmos naqueles que não pertencem a nosso povo ou à nossa igreja e que também merecem a bênção do sábado.
Vivemos em uma época quando o medo dos outros se tornou prevalente. Aqui, nos Estados Unidos, o medo e a ira é direcionada a vários grupos de imigrantes. O sábado nos ensina a termos cuidado com os sentimentos para com os que não pertencem à nossa fé. Na verdade, sempre o sábado foi uma bênção, esperando ser dado aos estrangeiros e forasteiros.
O profeta Isaías anunciou como representante de Deus: “Não fale o estrangeiro que se houver chegado ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, com efeito, me separará do seu povo; […] Porque assim diz o SENHOR: […] Aos estrangeiros que se chegam ao SENHOR, para o servirem e para amarem o nome do SENHOR, sendo deste modo servos seus, sim, todos os que guardam o sábado, não o profanando, e abraçam a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos.” (Is 56:3-7)
Mais que qualquer outro lugar na Bíblia, o mandamento do sábado destaca a herança comum de todos os seres humanos. Todos somos filhos do mesmo Criador, todos merecemos as bênçãos que Ele dá no sábado. Aqueles de nós que ocupam posições de liderança são lembrados a guardarem o sábado e a convidarem todos em seu círculo de influência a também receberem suas bênçãos. Por quê? Porque Deus é, para todos nós, Criador e Redentor.
Mensagem para o Meio Ambiente
O mandamento inclui um lembrete mais. “não farás nenhum trabalho […] nem o teu animal” (Êx 20:10). O mesmo mandamento menciona especificamente, em Deuteronômio, os jumentos e os bois.
Por que Deus lembra Seu povo de deixar os animais descansarem no sábado? De alguma forma, parece um mandamento estranho. Mas em um mundo onde a agricultura era a economia principal, faz sentido. Para assegurar que as pessoas descansem, Deus lhes pede que também permitam aos animais descansarem. Deus está interessado em todos os aspectos de Sua criação.
Esse mandamento indica que Deus Se importa com os animais, com Sua criação e, mais amplamente, com o meio ambiente. Deus nos lembra no mandamento do sábado que Seu plano original incluía um relacionamento simbiótico entre os animais e os seres humanos, para que houvesse apoio harmonioso e cuidado entre todas as partes de Sua criação.
Adão e Eva foram estabelecidos como mordomos da terra; para cuidar dela, e não destruí-la. No mandamento do sábado Deus conservou a cláusula da proteção ao animais. Os adventistas que nunca fez parte do plano de Deus que os animais sofressem nas mãos da humanidade ou que fossem comidos, no que diz respeito a esse assunto.
Uma Mensagem Toda Abrangente
Em Gênesis 2, no final da semana da criação, Deus fez três coisas no primeiro sábado. “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gn 2:2, 3)
Deus descansou no sétimo dia; Ele o abençoou e o santificou. Esse é um dia especial, diferente dos demais. É um período abençoado e santo de 24 horas, a cada semana. Abraham Heschel descreveu-o como um “palácio no tempo”. Os adventistas insistem que esse dia especial segue abençoado e santo desde a criação e que, em parte alguma na Bíblia, esse dia foi mudado por outro, tampouco abolido. O sábado segue como dia abençoado e santificado, como o foi na criação.
Deus disse a Moisés para lembrar o povo de Israel a respeito do caráter santo do sábado. “Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado, porque é santo para vós outros; […] Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento.” (Êx 31:13-17). O sábado foi separado desde a criação para santificar e identificar o povo de Deus, para separá-los do mundo.
A observância do sábado por parte de Jesus nos evangelhos (Lucas 4:16) e os milagres que realizou nesse dia (ex.: Lc 4:31-37) também destacam que ele é especial. Longe de ser um fardo, Jesus mostrou por Seu exemplo que o sábado é um dia de culto, cura e renovação. Ele mostrou o sábado como essencialmente um memorial de nossa salvação.
Na verdade, o sábado é tão importante no plano de Deus para os seres humanos que será guardado como dia especial na nova terra. Isaías nos diz: “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que, de uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR.” (Is 66:22, 23)
Os adventistas do sétimo dia guardam o sábado porque Deus é nosso Criador, nosso Redentor e porque creem em Sua promessa de uma nova terra. O sábado é nosso lembrete semanal de Sua obra da criação e redenção. Nosso nome proclama essa bela mensagem, uma mensagem de salvação e cura a ser proclamada “aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo” (Ap 14:6).______________
Denis Fortin é diretor e professor de Teologia no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Andrews University. Este artigo foi publicado em 28 de abril de 2011.


* Salvo por indicação contrária, todas as citações foram extraídas da Bíblia na Versão Revista de Almeida.
[1] Ellen G. White, A Igreja Remanescente, p. 65.
Este artigo foi adaptado da mensagem de abertura do Concílio Anual de 2010, apresentado em 8 de outubro no auditório da Associação Geral, em Silver Spring, Maryland.—Editores.

Postagens relacionados:

  1. Oração: uma reflexão teológica A teologia da oração deve examinar a natureza da oração…
Esse post foi publicado em Não categorizado. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s