Lição 09 – Rispa – A influência da fidelidade – Casa Publicadora Brasileira – Comentários Ivanaudo Barbosa – Sikberto Marks

Lição 9

20 a 27 de novembro

Rispa: A influência da fidelidade

Sábado à tarde  

Ano Bíblico: Rm 14–16

VERSO PARA MEMORIZAR: “Ele o cobrirá com as Suas penas, e sob as Suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dEle será o seu escudo protetor” (Salmo 91:4, NVI).

Leituras da semana: Dt 30:192Sm 3:6-1121:1-9Mc 13:13

A história de Rispa mostra uma mulher estranha desempenhando o papel de uma pessoa mais íntima. Só duas passagens bíblicas a mencionam explicitamente, e as duas estão relacionadas com o início do reinado de Davi, provavelmente antes de seu caso com Bate-Seba (2Sm 11). A maioria dos comentaristas da Bíblia concordam que 2 Samuel 21–24 não é uma sequência cronológica de 2 Samuel 20, mas traz informações adicionais que não se ajustam à linha histórica geral da vida de Davi.

Rispa existiu à margem da história do rei Davi. Sendo mulher e, ainda mais, sendo concubina de um rei anterior, poucas opções lhe restavam. De fato, suas perspectivas pareciam desoladoras e tristes. Seu dois filhos estavam mortos, a família estendida de seu falecido “marido” estava à beira da extinção. Apesar disso, em vez de ficar em um canto, lamentando sua má sorte, ela agiu com nobreza. Sua presença em dois momentos cruciais da história de Davi a tornaram alguém que fez um rei e edificou sua nação. Com Rispa, todos podemos aprender algo incrivelmente importante: a fidelidade não é condicionada por circunstâncias nem por boa (ou má) sorte. A fidelidade é o compromisso incondicional de fazer o que é certo, não importando o custo.


Domingo  

Ano Bíblico: 1Co 1–4

A concubina do rei

1. No Antigo Testamento, existem muitas referências a concubinas (Gn 25:5, 6Jz 8:30, 312Sm 5:13-161Rs 11:2, 3). Que podemos aprender sobre elas?

Frequentemente, as concubinas eram tiradas de entre as servas ou empregadas de uma família. Seu propósito expresso era produzir herdeiros, e, se produziam descendentes masculinos, seu status e posição social eram semelhantes às das esposas legítimas. Os homens eram considerados maridos de suas concubinas (Jz 20:4), e seus filhos apareciam nas genealogias (Gn 22:24) e recebiam parte da herança (Gn 25:5, 6). É interessante notar que as concubinas apareciam principalmente no período patriarcal. Durante a primeira monarquia, as concubinas estavam relacionadas com as casas reais.

2. Que podemos aprender sobre Rispa e sobre suas circunstâncias naquele tempo específico? 2Sm 3:6-11

Rispa, cujo nome significa “brasa viva” (veja Is 6:6), fazia parte da casa real de Isbosete (“homem de vergonha”), o único filho restante de Saul, que, com a ajuda de Abner, tinha sido feito rei sobre Israel e se mudara para o outro lado do Jordão, em Maanaim (2Sm 2:8-10). O simples fato de que o autor bíblico incluiu informações sobre o pai de Rispa (“filha de Aiá”) sugere que a família dela deve ter sido importante e que ela não era uma simples escrava. Ironicamente, o nome do filho de Saul aparece com outra forma na genealogia de Saul, como Esbaal, “homem de Baal” (1Cr 8:33).

A forma usada em 2Sm 2:8-10 parece ser um sutil insulto do autor bíblico: o homem de Baal era um embaraço para a casa de Saul e, assim, um “homem de vergonha”.

As circunstâncias pessoais de Rispa estavam longe do ideal. Ela pertencia à casa de Saul e, embora o hábil general Abner estivesse sustentando Isbosete – o fraco descendente de Saul – sendo concubina de Saul, Rispa não tinha segurança. Seu destino parecia totalmente fora de suas mãos, determinado por forças e circunstâncias além de sua autoridade ou controle.

Jesus nos disse que, se um homem cobiçar uma mulher, em seu coração, já terá cometido adultério com ela (Mt 5:28). Porém, no Antigo Testamento, muitos homens de Deus tiveram concubinas. Como reconciliar esse fato com o que Jesus disse? (Enquanto pensa em uma resposta, lembre-se de que só porque a Bíblia menciona que algo era praticado não significa que Deus aprovava nem que era o melhor caminho para se viver.)


Segunda  

Ano Bíblico: 1Co 5–7

A menção de seu nome

As coisas não estavam indo bem para Isbosete na guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi (2Sm 3:1). Em contraste com a decadência na corte de Isbosete, o texto bíblico insere nesse momento da história uma lista dos filhos de Davi que nasceram em Hebrom (2Sm 3:2-5). A lista reflete a força crescente de Davi, visto que filhos significam futuro e segurança.

Como vimos (2Sm 3:7-10), Isbosete, o “homem de vergonha,” acusou seu general, Abner, de ter dormido com a concubina de seu pai, Saul. A julgar pela forte reação de Abner, essa foi uma ofensa muito séria.

3. Leia os versos seguintes e explique o que significava dormir com a esposa ou concubina de um homem poderoso nos tempos do Antigo Testamento. 2Sm 16:21, 2220:31Rs 2:21, 22

Rispa não é muito ativa na história, que se concentra em Abner e Isbosete. Afinal, ela era apenas uma concubina. Parecia ser outro peão no jogo de poder entre dois homens. O texto bíblico     não esclarece se Abner realmente dormiu com Rispa a fim de tentar usurpar o trono. O fato de que ele mudou tão depressa de lado sugere que esse foi só um boato que circulou na improvisada corte real em Maanaim. Se realmente quisesse ser rei de Israel, teria ele tanta disposição de se unir às forças de Davi, o “ungido do Senhor”?

Abner cumpriu a ameaça de desertar para Davi (2Sm 3:9, 1012). A acusação de Isbosete induziu o importante mantenedor do poder da casa de Saul a jurar lealdade à casa de Davi, que assegurou o desaparecimento da casa de Saul. Esse fato ocorreu logo depois (veja 2Sm 4). Foi realmente a menção do nome de Rispa que provocou essa mudança. Embora Rispa não seja ativa no relato, ela é altamente significativa.

Sem a reação de Abner à acusação de Isbosete, provavelmente, a guerra entre as duas partes teria durado muito mais. Não sabemos o que aconteceu a Rispa em seguida. Ela só reaparece nas lembranças de Davi em 2 Samuel 21:1-14, onde ela desempenha um papel sutil mas incrivelmente importante para reunir as tribos e facções.

Frequentemente, nos vemos apanhados por circunstâncias que não podemos controlar. Ainda assim, o que sempre podemos controlar, e por que, no fim, é isso o mais importante? Veja Dt 30:19Mc 13:13.


Terça  

Ano Bíblico: 1Co 8–10

Olho por olho ou uma solução conveniente?

Houve uma terrível fome em Israel. O texto hebraico enfatiza o longo período sem nenhuma chuva (“por três anos consecutivos”). Isso não era normal. O povo considerava que Deus era diretamente responsável por dar chuva e reter chuva. Davi consultou ao Senhor. Não sabemos por que meios ele recebeu a resposta de Deus, mas seu conteúdo é muito claro: “Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa” (2Sm 21:1).

4. Leia 2 Samuel 21:1-6. Por que os descendentes de Saul deveriam sofrer pela culpa de seu antepassado? Isso não contradiz Deuteronômio 24:16Jeremias 31:29, 30Ezequiel 18:1-4?

Esse é um assunto difícil e provoca debates entre os estudiosos. Onde está a justiça de Deus aqui? A justiça é algo coletivo ou individual? Alguns comentaristas sugerem que Davi usou a fome como desculpa conveniente para se livrar de possíveis rivais ao trono e que a resposta do Senhor em 2 Samuel 21:1 tenha sido uma espécie de manipulação inteligente das mensagens divinas para o interesse próprio de Davi; mas, no texto bíblico, não existe nenhuma indicação de que essa tenha sido sua motivação. O que o texto claramente afirma é que Saul procurou aniquilar os gibeonitas, que estavam ligados com os “amorreus”, os habitantes originais de Canaã antes de Israel tomar posse da Palestina.

O texto destaca um princípio muito importante das Escrituras: embora a salvação dependa de nossas decisões, nossas ações e escolhas afetam muitos ao nosso redor e nunca ocorrem em isolamento. Quando reis fiéis reinavam em Jerusalém, Judá seguia a lei de Deus e buscava viver de acordo com a vontade de Deus; por outro lado, reis infiéis derrubavam muitos em Israel.

Nos textos históricos do Antigo Testamento, não existe referência à tentativa de Saul de destruir os gibeonitas. Porém, o exemplo de vingança de Saul na cidade sacerdotal de Nobe (1Sm 21) sugere que Saul era capaz disso. Aparentemente, o zelo de Saul parece bom (afinal, os gibeonitas eram estrangeiros), mas a avaliação divina desse ato destaca a elevada consideração de Deus para a fidelidade
(Js 9:15-21). espera que honremos nossas promessas. Como veremos, Rispa nos dá (e ao rei Davi!) um exemplo de fidelidade.

Embora não entendamos completamente por que deveria haver fome por causa dos pecados de Saul, devemos nos lembrar de que nossas ações trazem consequências – sempre. Mas, como cristãos, devemos evitar cometer erros, não pelas potenciais consequências do ato, mas pela injustiça do ato em si. O que mantém você mais em linha: o medo das consequências de suas ações erradas ou o desejo de não agir de forma errada?


Quarta  

Ano Bíblico: 1Co 11–13

Fidelidade é um estilo de vida

Davi consentiu com o pedido dos gibeonitas, e sete descendentes de Saul foram encontrados. É aqui que encontramos Rispa novamente. Seus dois filhos com o rei Saul estavam entre os selecionados para execução a fim de que fosse alcançada a “expiação”. 2 Samuel 21:3 usa a palavra hebraica expiação, que aparece também em contextos como o Dia de Expiação em Levítico 16. Em 2 Samuel 21:1-9 há um exemplo de textos nas Escrituras que não conseguimos explicar completamente, mas ainda assim precisamos simplesmente confiar no Senhor.

5. Que outros exemplos como esse (de coisas que não entendemos completamente) você encontra em situações na Bíblia em que, apesar de não compreendermos, precisamos confiar na bondade e misericórdia de Deus, ainda assim? (Leia 2Sm 21:1-9.)

Davi se lembrou da promessa feita a seu amigo Jônatas (1Sm 20:12-1742) e, consequentemente, não entregou o filho de Jônatas, Mefibosete, aos gibeonitas. Isso enfatiza um ponto importante no texto bíblico: embora Saul houvesse quebrado um voto de Israel aos gibeonitas, Davi honrou seu voto a Jônatas, mesmo depois de sua morte.

6. Que fez Rispa quando seus filhos foram mortos? 2Sm 21:9, 10O que isso nos diz sobre ela?

O autor enfatiza sua elevada consideração pelos atos de Rispa mencionando novamente o nome do seu pai (cf. 2Sm 3:7), em contraste com Davi, que não é chamado de rei nem por sua linhagem. Só podemos imaginar a dor e o pesar de Rispa ao vigiar os corpos dos sete executados. Ela construiu uma cabana provisória de pano de saco, e lá, a céu aberto, acampou perto dos corpos em decomposição e os protegeu da profanação por pássaros e animais. Rispa não fez isso nem por um nem por sete dias, mas parece que vigiou os corpos por muitas semanas, até começarem as chuvas do outono. Rispa foi não apenas mãe dedicada, mas se distinguiu como exemplo de fidelidade em uma história dominada por homens que nem sempre foram fiéis.


Quinta  

Ano Bíblico: 1Co 14–16

Construindo uma nação

O exemplo de fidelidade de Rispa chamou a atenção de Davi. O autor bíblico inclui novamente a genealogia completa de Rispa quando Davi foi informado de sua ação. Ela não era uma mãe qualquer. Ela era filha de Aiá e concubina de Saul. O fato de ela estar na montanha “perante o Senhor” perto dos sete corpos, parece ter motivado Davi a considerar isso um ato muito importante: ele ordenou o sepultamento apropriado de Saul, de Jônatas e dos descendentes de Saul.

7. Como Davi foi afetado pelas ações de Rispa? 2Sm 21:11-14

Muitos dos vizinhos de Israel consideravam que um enterro apropriado era essencial para a habilidade do falecido de chegar a um lugar em que os deuses distribuiriam justiça. As pirâmides do Egito eram tumbas enormes, testemunhando sobre a importância do sepultamento na cultura egípcia. Em contraste, as práticas de sepultamento de Israel não eram elaboradas, porque os autores bíblicos consideravam que a morte era um estado de inconsciência (Ec 9:5, 6). Esse enterro, porém, foi muito significativo, pois marcou o fim das lutas entre as tribos e lançou o fundamento de um Israel unido.

8. De acordo com o texto de hoje, o que causou o fim da fome? 2Sm 21:1-14

A fome não terminou logo que os sete descendentes de Saul foram executados. Deus respondeu ao apelo em favor da terra só depois que Davi proveu um lugar respeitável de descanso para os restos de Saul e seus descendentes. Em outras palavras, embora justiça e retidão sejam elementos importantes de nossa interação uns com os outros, requer-se também reconciliação. O exemplo de fidelidade de Rispa, mesmo sob condições desesperadoras, parece ter provocado fidelidade e reconciliação em escala muito maior, resultando em um Israel preparado para começar a curar as feridas da guerra entre as tribos. O papel de Rispa nessa parte crucial do reinado de Davi ensina uma lição importante que perdura ao longo dos séculos: as circunstâncias, apenas, não fazem nem destroem um filho de Deus; ao contrário, por nossas escolhas, para o bem ou para o mal, determinamos se seremos um fator de pouca importância ou se nossa fidelidade ainda influenciará poderosamente as pessoas ao nosso redor. Mediante uma vida fiel, Rispa influenciou sutilmente a conduta de uma nação.

Pense no poder do exemplo: por suas ações, Rispa, a concubina de um inimigo, influenciou grandemente Davi. O que isso deve nos dizer sobre o poder de nossa influência, não importando quem somos? Pense naqueles a quem você está influenciando. Como você pode ser uma influência melhor do que é atualmente?


Sexta  

Ano Bíblico: 2Co 1–4

Estudo adicional

O evangelho é uma mensagem de paz. O cristianismo é um sistema religioso que, recebido e obedecido, espalha paz, harmonia e felicidade por toda a Terra. A religião de Cristo liga em íntima fraternidade todos os que lhe aceitam os ensinos. Foi missão de Jesus reconciliar os homens com Deus, e assim, uns com os outros” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 47).

“Uma coisa é ler e ensinar a Bíblia, e outra coisa é ter gravados na mente, mediante a prática, seus princípios vivificantes e santificantes. Deus está em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo. Se aqueles que afirmam ser Seus seguidores agem independentemente, não mostrando interesse afetuoso ou compassivo de uns para com os outros, é porque não são santificados para Deus. Não têm Seu amor no coração” (Ellen G. White, Review and Herald, 17 de março de 1910).

Perguntas para consideração
1. Em sua classe de Escola Sabatina, pense em maneiras de demonstrar a fidelidade de Deus às pessoas de sua comunidade que ainda não O conhecem por experiência.
2. Que é fidelidade? Peça que diferentes membros da classe definam fidelidade, usando personagens bíblicos como exemplos.
3. Muitas vezes, parece que somos impotentes e não temos escolha em nossas dificuldades. Que podemos aprender de uma mulher como Rispa, que, apesar das circunstâncias, agiu tão fielmente diante do Senhor?
4. Pense mais no poder do exemplo. Quem são os exemplos poderosos em sua cultura e sociedade? São bons ou maus exemplos? Que dizer de seu próprio exemplo? Que influência você acha que tem sobre os que observam seu comportamento? Qual é a diferença entre seu exemplo em casa e em público ou na igreja? Aqueles que admiram seu exemplo em público ficariam chocados se vissem seu exemplo em casa?

Respostas sugestivas:
Pergunta 1: No tempo patriarcal, era um aspecto cultural geralmente aceito. No tempo dos reis, eram estes que mais frequentemente tomavam para si muitas mulheres.
Pergunta 2: Rispa estava inteiramente à mercê de seus senhores, sem muito espaço próprio para decisões.
Pergunta 3: Quando alguém tomava o poder em determinada cidade ou reino, para afirmar sua supremacia, tomava para si as mulheres do governante anterior.
Pergunta 4: Leia a nota a seguir.
Pergunta 5: Resposta pessoal.
Pergunta 6: Protegeu os corpos de seus filhos e dos outros cinco, para que não fossem consumidos pelas aves de rapina nem por outros animais.
Pergunta 7: Davi mandou sepultar os ossos de Saul e de Jônatas, juntamente com os dos sete que tinham sido enforcados.
Pergunta 8: A reconciliação, simbolizada pelo sepultamento dos restos de seus adversários.

Resumo da Lição

Texto-Chave: 2 Samuel 21:10

O ALUNO DEVERÁ…
Saber: Reconhecer como a fidelidade de Rispa, concubina relativamente insignificante de um rei fracassado, influenciou eventos significativos na nação de Israel.
Sentir: Quão determinada estava Rispa para fazer o pouco que pudesse para sua família, apesar de suas grandes perdas e impotência.
Fazer: Empregar nossas energias para ser fiéis em qualquer função na qual Deus nos colocar.

Esboço
I. Conhecer: Mãe desolada
A. Rispa foi a mãe de dois dos filhos de Saul que foram enforcados como parte dos justos procedimentos que Deus requereu de Davi e Israel. Como Rispa respondeu a essa sentença?
B. Que ação sua fidelidade despertou em Davi, e qual foi o resultado final para Israel?

II. Sentir: Defensora corajosa
A. Sozinha com seus mortos na montanha, essa mãe bravamente afastou aves e animais dia e noite por muitas semanas. O que ela estava sentindo? O que somos tentados a sentir e fazer sob tais circunstâncias sem esperança?

III. Fazer: Dever desanimador
A. Mesmo que nos sintamos impotentes e insignificantes, ainda podemos reagir de forma leal, sejam quais forem nossas circunstâncias. Que desafios enfrentamos hoje para os quais necessitamos cumprir nosso dever, embora a perspectiva pareça sombria?

Resumo: Embora Rispa tenha sofrido uma perda terrível, ela defendeu corajosamente dos animais de rapina os corpos de seus filhos até que o rei Davi reagiu, sepultando os ossos de Saul e seus filhos, trazendo igualmente justiça e paz para Israel.

Ciclo do aprendizado

Motivação
Conceito-chave para o crescimento espiritual: Fidelidade é a verdadeira medida do compromisso espiritual de uma pessoa.
Só para os professores: Ajude os membros da classe a aprender que fidelidade a Deus, mesmo nas coisas que consideramos “pequenas”, é mais importante do que o aplauso humano, reconhecimento terreno ou realização pessoal.

Tem sido dito que Deus nos chama para a fidelidade, não para o sucesso. William Carey, às vezes mencionado como o “Pai das Missões Modernas”, trabalhou por sete anos antes de ganhar seu primeiro converso na Índia. Robert Morrison, na China, e Adoniram Judson, em Mianmar, também esperaram mais de cinco anos para saudar seus primeiros conversos. Histórias similares podem ser contadas sobre a obra em outros lugares. Estivessem esses missionários mais preocupados com sinais de sucesso aparente do que com a fidelidade, eles poderiam facilmente ter desanimado de seu chamado. Desencorajador e frustrante como deve ter sido, eles escolheram ser fiéis ao seu chamado e trabalho. Seu sucesso foi o resultado final de sua fidelidade; poderíamos até dizer que sua fidelidade, não seus conversos, foram a verdadeira medida de sucesso. Se eles não houvessem sido fiéis em circunstâncias muito penosas e desafiadoras, nunca teriam experimentado a alegria de ver o avanço do reino através de seu esforço.

Atividade de abertura: Usando um bloco de folhas sobre um cavalete, um quadro branco ou uma cartolina, peça que a classe faça uma lista das coisas na natureza que são muito confiáveis. Exemplos poderiam incluir certas coisas como, “o sol surge todos os dias”, “a gravidade faz as coisas descerem para a Terra”, “as árvores produzem folhas novas na primavera”, etc. Comente quais seriam as consequências biológicas e ecológicas se a natureza deixasse de ser confiável nessas áreas. Enquanto a confiabilidade é uma medida de nossa fidedignidade com os outros, a fidelidade expressa nosso desejo de ser confiáveis. Comente a importância de nos tornarmos pessoas em quem Deus pode confiar, comparando nossa confiabilidade com os exemplos da natureza.

Compreensão
Só para os professores: Em uma das parábolas de Mateus 25, três servos recebem variados graus de responsabilidade. Um recebe cinco talentos, outro dois e outro ainda, um. Independentemente da quantidade, era esperado que cada um fosse fiel. Os primeiros dois permaneceram fiéis e foram reconhecidos pelo patrão quando ele retornou de sua jornada. O último não foi. Humanamente falando, podemos ser tentados a desculpar o último servo, pensando que ele recebeu responsabilidades comparativamente pequenas. Isso deveria ter tanta importância, visto que havia menos oportunidades para ele? Contudo, Deus não trabalha dessa maneira. Fidelidade não é apenas esperada, mas requerida de todos que participam das dádivas divinas. Rispa, uma figura pouco notada nas páginas das Escrituras, oferece à nossa atual geração egocêntrica um sólido exemplo de fidelidade, embora seja muito despercebido. Como a viúva no templo que fielmente depositou sua oferta no tesouro do templo, Rispa inspirou futuras gerações por meio de sua confiabilidade com relação ao terrestre e comum.

Comentário bíblico

I. A concubina do rei
(Examine com a classe 2Sm 3:6-11.)

Talvez seja verdade que o instrumento mais difícil de tocar é o “segundo violino”. Essa foi a dificuldade das concubinas nas antigas civilizações. Nunca totalmente aceitas como esposas, avaliadas principalmente por sua capacidade de produzir filhos, essas mulheres viviam como escravas, com poucas oportunidades e direitos insignificantes. Frequentemente humilhadas pelas culturas dominadas pelos homens, elas podiam esperar que seus filhos fossem desprezados em favor dos filhos das esposas livres, que o relacionamento marital pleno fosse perpetuamente negado a elas e que a “vida abundante” fosse reservada para outra pessoa.

Falando de modo geral, essa foi a sorte de Rispa na vida. Complicando sua situação, seu marido foi morto em desgraça, ela foi envolvida em um relacionamento ilícito com o comandante militar e, além disso, seus filhos – o principal meio de sustento para uma mulher destituída de marido – foram executados por ordem de Davi. Raramente a receita para o desânimo e mesmo o suicídio tem sido mais potente. Apesar dessas circunstâncias que traziam mau pressentimento, Rispa é lembrada pela fidelidade em meio ao desespero.

Pense nisto: Como minha fidelidade é avaliada quando sou deixado de lado para posições de liderança da igreja, embora minhas qualificações claramente excedem as das pessoas escolhidas acima de mim? Ou, embora meu nível de importância dentro da sociedade seja mínimo, como posso mostrar fidelidade? Ou, como uma “insignificante” garota escrava influenciou a história, partilhando sua fé com Naamã, seu senhor? Ou, como a civilização foi preservada por meio da fidelidade de um escravo chamado José?

II. Fidelidade é um estilo de vida
(Examine com a classe 2Sm 21:1-9.)

“No antigo Oriente Próximo, é comum que o rei seja entendido como a personificação do Estado e representante do povo. Durante o reinado do rei hitita Mursilis, foi determinado que uma praga de vinte anos havia sido o resultado de infrações cometidas por seu antecessor, e foram feitas tentativas para apaziguar e fazer a restituição” — John H. Walton, Victor H. Matthews, e Mc W. Chavalas, The IVP Bible Background Commentary (Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 2000), p. 350. Embora a mentalidade moderna possa se escandalizar, classificando como barbaridade a tentativa de Davi de retificar a conduta imprópria de Saul contra os gibeonitas, deve-se reconhecer que ele estava tentando, dentro do seu ambiente cultural contemporâneo, reparar a quebra da fidelidade causada por Saul. Embora possamos desprezar os meios de Davi e questionar seus motivos, esta passagem sugere que os cristãos devem considerar sua obrigação de ser fiéis ao que prometeram fazer como indivíduos.

Além disso, a narrativa de 2 Samuel 21:1-9 sugere uma questão solene que os cristãos também devem perguntar. Até que ponto as promessas feitas por seus governos, cultura e antepassados os obrigam à fidelidade?

Pense nisto: Que responsabilidade temos de ser fiéis às promessas de gerações passadas? Por que devemos ter cuidado quanto a obrigar gerações futuras por promessas que fazemos?

Aplicação
Só para os professores: Quando Rispa protegeu os corpos dos executados, isso foi trazido à atenção de Davi. Aparentemente, ele ficou impressionado por suas ações nobres. Embora não desfrutemos de status, celebridade ou notoriedade, podemos ser colocados por Deus em posições nas quais devemos influenciar oficiais do governo e líderes da sociedade. O povo de Deus pode não perceber que está sendo observado pela elite da sociedade; sua fidelidade, entretanto, tem alterado o curso da história muitas vezes.

Atividade: Uma pessoa despretensiosa que influenciou profundamente sua nação foi Desmond Doss, o herói da Segunda Guerra Mundial que foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso. Reconhecido pela salvação de centenas de vidas durante as muitas batalhas no Teatro do Pacífico, quase perdeu a vida na batalha de Okinawa. Embora ridicularizado e atormentado por ser fiel a suas convicções a respeito da não combatência e observância do sábado, todavia ganhou o respeito de seus comandantes e companheiros.

Perguntas de aplicação
1. A mesma atitude que levou Doss a se recusar a disparar uma arma foi a que o motivou a agir com tanta bravura em face do perigo. Que atitude foi essa, e por que é tão importante? De que maneiras somos chamados a fazer algo similar, não importando quão diferentes sejam as circunstâncias imediatas?

Criatividade
Só para os professores: A fidelidade em coisas consideradas pequenas frequentemente forma a base para a fidelidade nas decisões maiores da vida. A fidelidade na questão simples de escolher uma alimentação apropriada preparou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego para a prova final sobre adoração, na planície de Dura, que mudou a história. Preparou também Daniel para permanecer firme com relação à adoração, sabendo que sua decisão o levaria à cova dos leões. O exemplo de Rispa não é matéria para manchetes de jornais, mas representa as centenas de decisões diárias que fazemos e que, juntas, formam nosso caráter.

Atividade: Como classe, crie uma montagem com fotos de simples atos de fidelidade repetidos a cada dia. Isto pode ser feito utilizando fotos que aparecem em jornais e revistas de notícias, ou tirando suas próprias fotos como um grupo de atividades.

O que essas ideias coletivamente esclarecem sobre o que é ser fiel? O que a fidelidade nas pequenas coisas nos ensina sobre a fidelidade nas grandes? Por que é difícil – ou mesmo impossível – ter uma sem a outra?

Opção alternativa: Para fazer esta atividade sem fotos, peça que os membros da classe imaginem os atos simples de fidelidade pelos quais eles são gratos a cada dia. Peça que alguns membros da classe partilhem, ou descrevam, sua imagem de fidelidade. Então, faça as perguntas estipuladas acima.

Lição 9 – RISPA, A INFLUÊNCIA DA FIDELIDADE

Ivanaudo Barbosa

Objetivo deste estudo: Mostrar que, mesmo em silêncio, Rispa falou alto.

Verdade central: Atos falam mais alto que palavras.

INTRODUÇÃO
Nesta apresentação, mencionamos quatro personagens: Rispa, que é a principal figura em nosso estudo, e as demais grandiosas estrelas como Davi, Isbosete e Abner, que, paradoxalmente, são apresentadas como coadjuvantes no enredo. Para construir todo o enredo, apresentamos os atores e seus papéis para formamos o quadro completo:

Davi – Este já é conhecido nos dramas anteriores e não necessita de mais apresentação. Os papéis de Davi neste estudo são os seguintes: Saul e Jônatas foram mortos, e Abner, o general do exército de Saul, aclamou Isbosete, o filho sobrevivente de Saul, rei em lugar do pai. A sede do governo de Isbosete foi transferida para Manain, no lado leste do rio Jordão. Davi foi eleito rei de Judá, no sul do país. Como era de se esperar, teve lugar uma guerra entre os dois reinos. Enquanto Davi ia se fortalecendo, as coisas não andavam bem para Isbosete, filho de Saul.

Abner – Aqui entra a figura do general Abner. Ele era um brilhante defensor da continuidade do reino de Saul com Isbosete, embora soubesse que Deus havia prometido o reino de todo o Israel a Davi. Certo dia, o rei Isbosete acusou Abner de ter adulterado com Rispa, a concubina de Saul, seu pai. Não sabemos se isso ocorreu ou não, porque o texto bíblico não esclarece. O fato de alguém manter relações com a mulher ou as concubinas de um rei indicava sua intenção de usurpar o trono. Essa acusação deixou Abner transtornado, e ele decidiu abandonar o barco de Isbosete e unir todas as tribos de Israel em torno de Davi.

Isbosete – Conforme já mencionado acima, Isbosete era fraco na administração e liderança e não tinha como sobreviver se fosse abandonado por Abner. Ele foi assassinado por dois de seus servos, e todo o Israel passou a seguir Davi. A breve dinastia de Saul terminou com a morte de seu filho Isbosete.

Rispa – Os papéis de Rispa são secundários e, até certo ponto, passivos. Ela não aparece como uma mulher ativa, com uma participação romântica e explícita com Abner. O autor bíblico simplesmente menciona seu nome no drama entre os dois figurões – Isbosete e Abner. Mas a simples menção do episódio provoca uma mudança de rumo na história de Israel. Isbosete foi assassinado por seus servos, e Abner foi friamente assassinado por Joabe. Formalmente, Davi unificou o reino, mas o espírito de amargura, mal-estar e suspeitas permaneceu por longo período.

Então, novamente aparece a figura de Rispa dando proteção aos corpos de seus dois filhos e mais cinco netos de Saul, mortos pelos gibeonitas como acerto de contas. Após esse ato de dedicação, amor e fidelidade, Davi enterrou com dignidade os sete corpos e mais os corpos de Saul e Jônatas. Esse ato de Davi trouxe finalmente tranquilidade e aceitação aos descendentes de Saul. Com o envolvimento silencioso de Rispa nesses dois episódios, a história de Israel foi mudada.

I. Uma apresentação de Rispa
Rispa era filha de “Aiá”. A menção do nome de seu pai sugere que a família dela deve ter sido importante e que ela não era uma simples es crava. Seu nome significa: “brasa viva”. Rispa foi concubina do rei Saul e teve dois filhos com ele – Armoni e Mefibosete. Após a morte de Saul, Rispa ficou viúva com dois filhos para criar. Como Isbosete perdeu o reino e foi morto, tudo indicava que a vida de Rispa não lhe oferecia nenhuma perspectiva alvissareira. Diante desse quadro desolador, a dor dela aumentou quando Davi mandou entregar seus dois filhos aos gibeonitas, os quais os enforcaram. Rispa, viúva, acusada de ter tido um caso com o general Abner, agora estava sem filhos e parecia totalmente abandonada. Diante desse quadro, seria normal que ela se julgasse vítima. Mas sua atitude foi nobre e elevada. Ela não reclamou, não se queixou, mas agiu. Construiu uma barraca improvisada com panos pretos e, por muitas semanas, cuidou dos sete corpos em decomposição para que as aves de rapina e animais selvagens não os devorassem, até Davi ordenar que eles fossem sepultados com dignidade. Aqui cabe mencionar algumas características dessa nobre mulher:

1. Rispa deixou nos registros da história uma atitude proativa.
2. Poucas de suas ações podem ser consideradas grandes atos. Mas ela “é”. O ponto forte aqui é SER.
3. Ao acusar Abner de adultério com Rispa, Isbosete nem sequer mencionou o nome dela. Disse apenas: “Por que possuíste a concubina de meu pai? (2Sm 3:7) E Abner, insensível e indignado, respondeu: “Você está me acusando pela maldade de uma mulher” (2Sm 3:8). Embora fosse tão desconsiderada pelos homens, a simples menção dela mudou a história de Israel.
4. Ela foi uma mulher perseverante. Viveu com desconforto por um longo período ao ar livre, suportando sereno e sol, dia e noite, até que seus amados fossem tratados com respeito e dignidade.
5. Rispa não era uma pessoa pronta a reclamar de tudo e de todos. Viveu em silêncio. Mas falou muito alto.
6. Ela manifestou amor e paixão pela vida. 7. Mãe digna de honra.8. Mãe dedicada e fiel.

LIÇÃO – Comente com seus alunos a seguinte frase: “Pessoas simples podem praticar atos poderosos que mudam a história.” Mencione outros exemplos de pessoas simples que marcaram a história e afetaram positivamente sua vida.

II. O que era uma concubina?
“Modernamente, o concubinato é um termo jurídico que especifica uma união não formalizada pelo casamento civil.” Sendo que a sociedade ocidental em que o Brasil se enquadra é baseada no princípio monogâmico do casamento, como sociedade e como Igreja, não aceitamos o concubinato como praticado nos tempos da monarquia em Israel e arredores. O autor da lição resume o formato da concubina nas seguintes palavras: “Frequentemente, as concubinas eram tiradas de entre as servas ou empregadas de uma família. Seu propósito expresso era produzir herdeiros e, se produziam descendentes masculinos, seu status e posição social eram semelhantes aos das esposas legítimas. Os homens eram considerados maridos de suas concubinas (Jz 20:4). Seus filhos apareciam nas genealogias (Gn 22:24) e recebiam parte da herança (Gn 25:5, 6).

É interessante notar que as concubinas apareciam principalmente no período patriarcal. “Durante a primeira monarquia, as concubinas estavam relacionadas com as casas reais” (Lição da Escola Sabatina, 21 de novembro de 2010). Nos tempos bíblicos, uma concubina não era simplesmente escrava ou, pior, escrava sexual. Ela era esposa com direitos legais. No caso de Rispa, ela era concubina do rei Saul. Era uma mãe dedicada e vivia no palácio real. Entretanto, com os rumos políticos tomados após a morte de Saul, “Rispa não tinha segurança. Seu destino parecia totalmente fora de suas mãos, determinado por forças e circunstâncias além de sua autoridade ou controle.”

III. Atos falam mais que palavras
Houve três anos de fome em Israel. Foi um tempo difícil e com grandes perdas para o povo e a nação. Então, o rei Davi consultou ao Senhor e veio a resposta divina: “Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque ele matou os gibeonitas” (2Sm 21:1). Davi chamou os gibeonitas e lhes perguntou: “O que quereis que vos faça? E que resgate vos darei, para que abençoeis a herança do Senhor?” E a sua resposta foi: “Não é por prata nem ouro que temos questão com Saul e com sua casa; nem tampouco pretendemos matar pessoa alguma em Israel [...] Quanto ao homem que nos destruiu e procurou que fôssemos assolados, sem que pudéssemos subsistir em limite algum de Israel, de seus filhos se nos deem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor, em Gibeá de Saul, o eleito do Senhor…” (2Sm 21:3-6). Nestes versos, notamos dois pensamentos distintos:

1. O delito que envolve vidas humanas não pode ser pago com dinheiro.Como os gibeonitas eram servos, e não cidadãos, não tinham direito legal de executar ninguém. Daí a interferência do monarca Davi, que tomou a decisão irrevogável, entregando sete homens da família de Saul para serem executados.
2. Nesse quadro desolador, aparece a figura silenciosa, mas atuante de Rispa. Além da viuvez e perda de status social, ela foi obrigada a entregar seus dois filhos para ser imolados como sacrifício pelos crimes de Saul. Rispa aceitou tudo com resignação e, em silêncio, manifestou sua atitude de carinho e respeito pelos mortos. Essa atitude mudou o rumo da história. Leia a sequência do comentário.

DISCUTA COM SEUS ALUNOS: Muitas vezes, parece que somos impotentes e não temos escolha em nossas dificuldades. O que podemos aprender de uma mulher como Rispa, que, apesar das circunstâncias, agiu tão fielmente diante do Senhor?

IV. A influência de Rispa na unificação do reino
A história de Rispa está marcada por apenas dois incidentes:

1. No primeiro, ela não teve participação ativa e envolvente. Mas se tornou figura decisiva. Simplesmente, ela foi o motivo que levou Abner a abandonar seu posto de general de Isbosete e debandar para o reino de Davi, abrindo caminho para que todo Israel seguisse o filho de Jessé. Rispa foi a causa silenciosa. Pessoalmente, creio que Abner estava procurando um pretexto para fazer o que fez. E viu na acusação de Isbosete a áurea oportunidade que procurava. Embora Rispa não tivesse parte ativa, ela foi decisiva no novo rumo que a história de Israel tomou. Gerald Klingbeil diz: “Foi realmente a menção do nome de Rispa que provocou essa mudança. Embora Rispa não seja ativa no relato, ela é altamente significativa” (Lição, 22 de novembro de 2010). Rispa ficou no meio do “tiroteio” entre Isbosete e Abner. Ambos saíram perdendo e foram mortos. E ela ganhou a guerra sem dar nenhum “tiro”.

2. No segundo incidente, a participação de Rispa é silenciosa mas ativa e participativa. Depois de terem sido enforcados os sete homens da família de Saul, incluindo seus dois filhos, os executores gibeonitas os abandonaram ao ar livre, expostos às aves de rapina e animais selvagens. Não tendo permissão para sepultar com dignidade seus queridos, nem tendo a quem recorrer, Rispa fez o que podia. O relato sagrado diz: “Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da colheita, até que a água do céu caiu sobre eles. Ela não deixou as aves do céu pousarem sobre eles durante o dia, nem os animais do campo durante a noite” (2Sam 21:10). Alguns comentaristas dizem que essa vigília de Rispa durou dois meses. Outros chegam a mencionar seis meses (Chantal y Gerald Klingbeil - Histórias Poco Contadas, p. 98). Não importa quanto tempo ela ficou ali. O que nos impressiona é o idealismo, a garra, a constância e a espera de Rispa. Cuidando noite e dia dos restos mortais de seus amados e enxotando os animais e as aves. É interessante notar que a chuva, como resposta de Deus, não caiu após a execução dos sete descendentes de Saul. Mas somente após Davi ordenar o sepultamento deles com dignidade. Alguns rabinos dizem que Davi fez uma grande procissão pelos territórios de Israel para sepultar esses mortos (Chantal y Gerald Klingbeil - Histórias Poco Contadas, p. 98).

Não temos prova disso pelos relatos bíblicos, mas podemos comprovar alguns resultados importantes que a ação de Rispa gerou:

1. O que entendemos pelo relato bíblico é que, após o ato do sepultamento, toda a nação parecia estar satisfeita. Era como se esse ato de Davi fosse um gesto de perdão e reconciliação com a família de Saul.

2. Sobre a reposta divina, acrescentamos: “Enterraram os ossos de Saul e de Jônatas, seu filho, na terra de Benjamim, em Zela, na sepultura de Quis, seu pai. Fizeram tudo o que o rei ordenara. Depois disto, Deus Se tornou favorável para com a terra” (2Sm 21:14).

3. “Rispa desempenhou um papel sutil mas incrivelmente importante para reunir as tribos e facções.”

4. “Esse enterro [...] foi muito significativo, pois marcou o fim das lutas entre as tribos e lançou o fundamento de um Israel unido.”

5. Um ato silencioso que mudou a história de Israel.

6. O amor de uma mãe sofredora é capaz de gerar uma reação em cadeia positiva.

PERGUNTE A SEUS ALUNOS: Na sepultura de Rispa, posso escrever a frase: “Seus atos falaram mais alto que palavras”. O que vão escrever na minha, quando eu morrer?

Conclusão

Ao estudar a vida de Rispa, chegamos a algumas conclusões. Gostaria de partilhar com você algumas delas. Comente-as com seu grupo.

1. As circunstâncias não devem pautar nossa vida, impedindo nossa participação, envolvimento e crescimento. Rispa nos mostrou que, apesar de estar cercada pelas mais difíceis circunstâncias, foi capaz de legar um exemplo que pode mudar a história.

2. Tenha em mente que a miséria do mundo não é causada somente pelas ações perversas dos maus, mas pela indiferença dos bons. É comum alguém dizer: “Não posso fazer nada”. Outro sentencia: “Se tivesse poder ou dinheiro, eu mudaria as coisas”. Alguns são mais específicos em seu pessimismo ao afirmar: “Que diferença fará se eu ajudar apenas um?” Rispa não pensou assim. Ela fez o que estava ao seu alcance. E isso mudou a história. Pense no que você pode fazer e não no que não pode mudar.

3. Como mulher, e ainda concubina, Rispa nem sempre teve o direito e a oportunidade de fazer escolhas. Mas, quando pôde escolher, escolheu fazer algo que ficasse marcado para toda a eternidade.

4. Rispa foi uma reconciliadora. Refletiu a imagem de Jesus, que foi o maior reconciliador, e nós somos chamados para isso também. “Foi missão de Jesus reconciliar os homens com Deus, e assim, uns com os outros” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 47).

Ivanaudo Barbosa Oliveira é Secretário e Ministerial da União Nordeste-Brasileira.

Sikberto Marks

Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre de 2010

Tema geral do trimestre: Figuras dos Bastidores

Estudo nº 09  –  Rispa: A influência da fidelidade

Semana de   20 a 27 de novembro

Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (RS)

Este comentário é meramente complementar ao estudo da lição original

www.cristovoltara.com.brmarks@unijui.edu.br – Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

Verso para memorizar: “Ele o cobrirá com as Suas penas, e sob as Suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dEle será o seu escudo protetor” (Sal. 91:4, NVI).

Introdução de sábado à tarde

A história dessa mulher, Rispa, é difícil de entender. Pode-se perguntar se é justo o seu sofrimento, bem como o sofrimento de outra mãe, Merabe.

Vamos resumir o que aconteceu, como introdução. No tempo do reinado de Saul, muita coisa errada se fez. Saul errava de modo vergonhoso. Quando líderes erram, os efeitos muitas vezes caem também sobre os liderados. Aqui houve um duplo efeito. Os israelitas haviam pedido um rei, e DEUS escolheu o melhor de todos, mas, resultou em fracasso. O segundo rei, Davi, o homem segundo o coração de DEUS, de cuja linhagem viria JESUS ao mundo, errou menos, mas cometeu erros feios. A diferença radical entre Davi e Saul era o arrependimento. Saul não se arrependia, e foi de mal a pior, até que morreu derrotado na vida civil e na vida espiritual. Ele é um homem morto para sempre.

Certa vez Saul tomou uma de suas muitas decisões erradas, de consequências desastrosas. Ele mandou matar os gibeonitas. Não matou todos, pois muitos escaparam. Mas numa das loucuras desse rei, ouve um morticínio entre os gibeonitas, feito por Saul. Acontece que esse povo, que era cananeu, havia forjado um acordo com Josué. Na lista de DEUS os gibeonitas deviam ter sido eliminados. Porém, por precipitação, Josué fez acordo com eles, e prometeu proteção. Agora, feito a promessa, ela deveria ser cumprida. E Saul traiu esse acordo.

Então se deu uma grande seca em Israel, que já durava três anos. E Davi foi consultar a DEUS sobre a razão dela. A resposta foi: “E houve nos dias de Davi uma fome de três anos consecutivos; e Davi consultou ao SENHOR, e o SENHOR lhe disse: É por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque matou os gibeonitas” (2 Sam. 21:1).

Então Davi chamou os gibeonitas que restaram, e lhe perguntou o que queriam. Veja o diálogo que se deu entre davi e os gibeonitas. “Então o rei chamou os gibeonitas e falou com eles {ora, os gibeonitas não eram dos filhos de Israel, mas do restante dos amorreus; e os filhos de Israel tinham feito pacto com eles; porém Saul, no seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá, procurou feri-los}; perguntou, pois, Davi aos gibeonitas: Que quereis que eu vos faça, e como hei de fazer expiação, para que abençoeis a herança do Senhor? Então os gibeonitas lhe disseram: Não é por prata nem ouro que temos questão com Saul e com a sua casa; nem tampouco cabe a nós matar pessoa alguma em Israel. Disse-lhes Davi: Que quereis que vos faça? Responderam ao rei: Quanto ao homem que nos consumia, e procurava destruir-nos, de modo que não pudéssemos subsistir em termo algum de Israel, de seus filhos se nos deem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em Gibeá de Saul, o eleito do Senhor. E o rei disse: Eu os darei.” (2 Sam. 21: 2 a 6)

Davi concordou com esse pedido. Ele atendeu o pedido de que se notabilizou pela sua astúcia. Eles já enganaram Josué em tempos anteriores (cf. Js 9,3-27). Os gibeonitas eram um povo astuto e dado a trapaça. Com Josué conseguiram proteção por meio de artifício falso, dizendo ter vindo de terra distante, quando na realidade eram cananeus. Davi deveria ter tido mais cuidado, refletir sobre o pedido, ao menos aconselhar-se com seus sábios. Talvez na pressa em resolver o problema da seca, Davi não tomou conselho. É de se questionar se esse pedido era ao menos razoável. Não veio de DEUS, e mais uma vez Davi não consultou a DEUS. É pelos pecados de um que outros devem ser mortos? Jamais. Mas Davi mandou escolher sete homens descendentes de Saul – cinco eram filhos de Merabe e dois de Rispa. E os gibeonitas foram enforcá-los, e os deixaram pendurados nas forcas. Mais parece vingança de ódio que justiça. E não é assim que DEUS faz justiça. Uma coisa são as consequências do pecado. Por exemplo, alguém ingere álcool, assume o volante de um automóvel, acelera em alta velocidade, e acaba ferindo e matando pessoas. Houve vítimas inocentes. Mas outra coisa é tomar parentes desse homem e em igual quantidade ferir e matar. Essa é a antiga Lei do Talião, do Código de Hamurábi, “dente por dente, olho por olho”, ou seja, vingança na mesma medida. Tal conceito certamente fazia parte da vida dos gibeonitas, e assim eles exigiram.

Coloque-se no lugar de nossa personagem de hoje, a Sra Rispa. Ela perdeu seus dois filhos. E o que ela fez? Acampou-se rusticamente próximo aos corpos deles, que apodreciam, e os protegia dos corvos, até que veio a chuva. “Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da colheita, até que a água do céu caiu sobre eles. Ela não deixou as aves do céu pousarem sobre eles durante o dia, nem os animais do campo durante a noite. ” (2 Samuel, 21,10).

Que mãe impressionante! Quem ela era? Era uma das concubinas de Saul, aquela mesma que,depois da morte de Saul, foi abusada por Abner, e que resultou na censura do novo rei entronizado pelo próprio Abner. Por causa dessa censura (que estudamos na semana passada) Abner se revoltou contra Is-Bosete, e resolveu propor seus serviços a Davi. Veja o relato bíblico sobre esses fatos: “E tinha tido Saul uma concubina, cujo nome era Rispa, filha de Aiá; e disse Is-Bosete a Abner: Por que possuíste a concubina de meu pai? Então se irou muito Abner pelas palavras de Is-Bosete, e disse: Sou eu cabeça de cão, que pertença a Judá? Ainda hoje faço beneficência à casa de Saul, teu pai, a seus irmãos, e a seus amigos, e não te entreguei nas mãos de Davi, e tu hoje buscas motivo para me argüires por causa da maldade de uma mulher. Assim faça Deus a Abner, e outro tanto, se, como o SENHOR jurou a Davi, assim eu não lhe fizer, transferindo o reino da casa de Saul, e confirmando o trono de Davi sobre Israel, e sobre Judá, desde Dã até Berseba. E nenhuma palavra podia ele responder a Abner, porque o temia. Então enviou Abner da sua parte mensageiros a Davi, dizendo: De quem é a terra? E disse mais: Comigo faze o teu acordo, e eis que a minha mão será contigo, para tornar a ti todo o Israel. (2 Sam. 3: 7 a 12). Como eles agiam por vingança naqueles tempos. Abner também era um comandante que não aceitava conselho nem repreensão. Precipitou-se em direção a Davi, que o aceitou sem consultar nem a Joabe, nem seus conselheiros e nem a DEUS. Resultado, como estudamos na semana passada, Joabe matou Abner. Esse trecho foi aqui inserido para deixar bem claro onde, nessa história toda de injustiça, crueldades, vinganças e abusos sexuais, se encaixa essa mulher, ao que tudo indica, humilde, fiel, e boa mãe.

Rispa tivera com Saul os dois filhos que agora foram mortos, para satisfazer a sede de vingança dos gibeonitas expiando a crueldade de Saul contra eles.

  1. Primeiro dia: A concubina do rei

Nos tempos antigos os homens inventaram maneiras de transgredir a lei de DEUS. Em relação ao casamento, sempre houve grande inclinação para transgredir, até os nossos dias. Quando DEUS estabeleceu que um homem deve se unir a uma mulher, os seres humanos logo buscaram transgredir nesse ponto. Em nossos dias o matrimônio está perdendo o valor. Quando casam, logo se separam. Mas aumenta o número de casos em que nem casam, só se juntam para, quando for conveniente, separarem-se e se juntarem com outra pessoa.

A poligamia surgiu antes do dilúvio. Os homens possuíam mais de uma mulher. Isso se tornou algo normal, que fazia parte da cultura. E foi tão forte que se tornou normal entre os filhos de DEUS. A Bíblia registra vários casos de homens que se casaram com mais de uma mulher, como foi Jacó. Abraão casou-se só com uma, mas teve Hagar como concubina, ao menos por uma vez, para ter um filho que Sara não tinha. Depois de Sara morrer, ele casou outra vez, legalmente, segundo o plano de DEUS. Mas Davi teve várias mulheres, e Salomão foi o que mais exagerou: teve 700 esposas e 300 concubinas.

Em uma só palavra, isso se chama poligamia. E nunca foi o plano de DEUS para a felicidade dos seres humanos.

O concubinato é a união de um homem com uma mulher mas sem se casar. Essa mulher vive com esse homem no mesmo teto, tem intimidades, mas não é casada com ele. O homem pode ter apenas ela, mas por não se terem casado, ela é concubina dele, e não esposa.

É diferente da amante. Nesse caso, ela não vive com o homem, e sim, encontra-se com ele de vez em quando para as intimidades. E em caso de amante, geralmente ela é a segunda, tendo ele uma esposa que não sabe da situação. Isso é emocionalmente trágico.

Geralmente os homens de posses tinham concubinas. Reis e poderosos as tinham, e era um modo de estatus e demonstração de poder. Os povos orientais tinham o que conhecemos por harém, ou várias mulheres exclusivas de algum poderoso. Elas viviam em algum lugar separado, onde jamais outro homem poderia entrar, exceto o eunuco. Esse era um homem castrado que cuidava das mulheres do harém, pelo que ele nada fazia a elas, senão os tratamentos de beleza, alimentação, etc. Essas mulheres eram escolhidas por pessoas do rei, dentre as mais bonitas que encontrassem. Viviam nas melhores condições possíveis, sempre prontas a servirem aos instintos naturais de seu superior.

Portanto, nos tempos antigos, homens poderosos podiam ter várias esposas e várias concubinas, estanto estas numa posição inferior ao das esposas. As concubinas serviam para dar filhos. E se elas dessem mais homens, eram também mais valorizadas. Veja bem que uma concubina era sempre escolhida pelo rei ou por algum de seus funcionários; ela mesma não podia fazer tal escolha. Quizesse ou não, sendo bonita e tendo boa saúde, podia ser escohida como concubina e nem pensar em recusar. Ela não tinha essa alternativa. E tinha que produzir filhos. Os grandes se orgulhavam de ter dezenas de filhos, alguns, até centenas. Esse sim era um tempo de afastamento dos princípios de DEUS. E naqueles tempos, ser mulher, não era nada fácil. Além de elas não terem valor social, político e econômico, só serviam para os instintos sexuais banalizados (hoje não é diferente, é até pior), deviam gerar filhos.

Rispa era uma concubina de Saul. Ela teve dois filhos. Abner, o grande comandante de Saul, após a morte desse rei, abusou de Rispa. Portanto, esse Abner também não era homem de respeito. Trabalhava por interesse, e fazia o que queria, não permitindo ser repreendido.

E Rispa? Ela era uma concubina, só isso. Coitada, não pôde escolher seu futuro. Como era com as concubinas, ela foi escolhida e lhe foram impostas leis, e tinha que sofrer sua vida. Sua função era satisfazer sexualmente o rei Saul, certamente um homem muito bruto, pelo que se pode deduzir. Ela teve dois filhos homens, o que lhe dava algum crédito. Mas Davi, em outra de suas insanidades, mandou matar esses dois filhos, a pedido dos gibeonitas.

Dê uma analisada. Que tempo de barbárie! Se era assim entre o povo de DEUS, imagina além dele. Mas entre nós, no final dos tempos, deve ser diferente. Devemos ser o povo mais puro de todos os tempos. Serão tão puros, embora ainda em estado de pecadores, que eles serão aprovados vivos no julgamento de DEUS, antes mesmo da porta da graça se fechar. Pense bem sobre essa condição!

  1. Segunda: A menção de seu nome

Quem era Abner? Quais os seus interesses? Por que ele se revoltou contra Is-Bosete e foi se oferecer a Davi? Tinha ele boas intenções? Leiamos um trecho do Espírito de Profecia sobre esse homem, e essas questões se esclarecerão.

“Isbosete não era senão um representante fraco e incompetente da casa de Saul, ao passo que Davi estava preeminentemente qualificado para assumir as responsabilidades do reino. Abner, o fator principal no levantamento de Isbosete ao poder real, tinha sido comandante-geral do exército de Saul, e era o homem mais distinto em Israel. Abner sabia que Davi tinha sido designado pelo Senhor ao trono de Israel; mas tendo-o tanto tempo afligido e perseguido, não estava agora disposto a que o filho de Jessé sucedesse no reino em que governara Saul.

“As circunstâncias sob as quais Abner foi posto, serviram para desenvolver seu verdadeiro caráter, e mostraram ser ele ambicioso e sem escrúpulos. Tinha estado intimamente ligado a Saul, e fora influenciado pelo espírito do rei para desprezar o homem que Deus escolhera para reinar sobre Israel. Seu ódio aumentara pela censura incisiva que Davi lhe fizera na ocasião em que a bilha de água e a lança do rei foram tiradas de ao lado de Saul, enquanto ele dormia no acampamento. Lembrava-se de como Davi tinha bradado aos ouvidos do rei e do povo de Israel: “Porventura não és varão? E quem há em Israel como tu, por que, pois, não guardaste tu o rei teu senhor ? … Não é bom isto, que fizeste; vive o Senhor, que sois dignos de morte, vós que não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor.” I Sam. 26:15 e 16. Esta censura inflamara-se em seu peito, e resolveu executar seu propósito de vingança, e criar divisão em Israel, por meio do que poderia ele próprio exaltar-se. Empregou o representante da passada realeza para promover suas ambições e intuitos egoístas. Sabia que o povo amava Jônatas. Sua memória era acalentada, e as primeiras campanhas bem-sucedidas de Saul não foram esquecidas pelo exército. Com decisão digna de melhor causa, este líder revoltoso prosseguiu na execução de seus planos.

“Maanaim, na outra margem do Jordão, foi escolhida para residência real, visto que oferecia a máxima segurança contra ataques, quer de Davi quer dos filisteus. Ali teve lugar a coroação de Isbosete. Seu reino foi primeiramente aceito pelas tribos a leste do Jordão, e estendeu-se finalmente por todo o Israel, com exceção de Judá. Durante dois anos o filho de Saul fruiu as suas honras em sua segregada capital. Mas Abner, no intuito de ampliar seu poder por todo o Israel, preparou-se para a guerra agressiva. E “houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi se ia fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo”. II Sam. 3:1.

“Finalmente a traição subverteu o trono que a malícia e a ambição estabeleceram. Abner, enchendo-se de ira contra o fraco e incompetente Isbosete, desertou para o lado de Davi, com o oferecimento de lhe trazer todas as tribos de Israel. Suas propostas foram aceitas pelo rei, e ele foi despedido com honra para cumprir o seu propósito. Mas a recepção favorável de tão valente e famoso guerreiro provocou a inveja de Joabe, o comandante-geral do exército de Davi. Havia uma dissensão mortal entre Abner e Joabe, tendo o primeiro morto a Asael, irmão de Joabe, durante a guerra entre Israel e Judá. Agora Joabe, vendo uma oportunidade para vingar a morte de seu irmão, e livrar-se de um que seria seu rival, aproveitou-se vilmente da ocasião para armar cilada a Abner e matá-lo. (Patriarcas e Profetas, 698-699).

Agora, analise bem essa informações diante de um fato, aparentemente, de pouca significância. Abner, traiu Is-Bosete, e foi se oferecer a Davi, porque foi censurado por ter abusado de Rispa, uma das concubinas de Saul. Com o histórico que Ellen G. White traça, diante de um fato assim, esse homem merecia crédito por parte de Davi?

Foram cometidos dois erros: um, Davi o recebeu bem, mas ele não era confiável; outro, Joabe o matou à traição. Que situação entre o povo de DEUS, tudo, por falta de quê? Faltava a eles o consultarem a DEUS. Eles se moviam por interesses próprios. E sempre que fazemos as coisas por interesse próprio, é evidente que não iremos consultar a DEUS, pois, se o fizermos, teremos que mudar esses interesses.

  1. Terça: Olho por olho ou uma solução conveniente?

Saul parece que resolveu fazer o que Josué deveria ter feito, mas não fez. Josué deveria ter eliminado os gibeonitas, porém, fez uma aliança com eles. E os gibeonitas também fizeram o que não deveriam ter feito. Se eles já sabiam ser o DEUS de Israel o verdadeiro DEUS, e se sabiam ser por isso superior aos seus deuses, e se por esse motivo desejassem ter participação com Israel naquela terra, e fazer parte daquele povo de DEUS, deveriam ter humildemente se apresentado aos israelitas. Se fizessem assim, teriam sido aceitos, e não seriam destruídos. Isso foi o que aconteceu a Raabe e sua família. Rute, mais tarde disse: “o teu povo é o meu povo, o teu DEUS é o meu DEUS”. E tanto Raabe quanto Rute fizeram parte da linha real de Davi e de JESUS CRISTO, embora fossem estrangeiras. Sobre isso, leiamos o que Ellen G. White escreveu.

“Ao avançarem as multidões de Israel verificaram que o conhecimento das poderosas obras do Deus dos hebreus tinha-os precedido, e que alguns entre os pagãos tinham conhecimento de que Ele era o verdadeiro Deus. Na ímpia Jericó o testemunho de uma mulher pagã foi: “O Senhor vosso Deus é Deus em cima nos Céus, e embaixo na Terra.” Jos. 2:11. O conhecimento de Jeová que assim tinha vindo a ela, provou ser sua salvação. Pela fé “Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos”. Heb. 11:31. E sua conversão não foi um caso isolado da misericórdia de Deus para com os idólatras que reconheceram Sua divina autoridade. No meio da terra um povo numeroso – os gibeonitas – renunciou ao seu paganismo, unindo-se com Israel e partilhando as bênçãos do concerto. (Profetas e reis, 369).

“Mas teria sido melhor aos gibeonitas se houvessem tratado honestamente com Israel. Conquanto sua submissão a Jeová lhes tivesse conseguido a conservação da vida, a fraude acarretou-lhes somente desgraça e servidão. Deus havia tomado disposições para que todos os que renunciassem ao paganismo, e se unissem a Israel, partilhassem das bênçãos do concerto. Estavam incluídos na designação “o estrangeiro que peregrina entre vós”, e com poucas exceções essa classe deveria desfrutar de favores e privilégios iguais aos de Israel. A instrução do Senhor foi: “E quando o estrangeiro peregrinar contigo na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; ama-lo-ás como a ti mesmo.” Lev. 19:33 e 34. …

“Tal era a posição em que os gibeonitas poderiam ter sido recebidos, não fora o engano a que tinham recorrido. Não era pequena humilhação para aqueles cidadãos de uma “cidade real”, sendo “todos os seus homens valentes”, fazerem-se rachadores de lenha e carregadores de água por todas as suas gerações. Haviam eles, porém, adotado a aparência de pobreza com o fim de enganar, e esta se lhes fixou como distintivo de servidão perpétua. Assim, em todas as suas gerações, sua condição servil testificaria do ódio de Deus à falsidade” (Patriarcas e profetas, 505 e 507).

Os gibeonitas usaram da astúcia que lhes era peculiar. Eram um povo pagão, e sabiam usar dos meios pagãos para conseguir as coisas, ou seja, mentindo e enganando. Assim tornaram-se rachadores de lenha e carregadores de água. E Saul achou-se com o direto de, depois do acordo entre esses dois povos, fazer justiça, eliminando-os dentre o povo de DEUS. Tal coisa já não era justiça, havia um acordo entre os dois povos, e deveria ser respeitado, principalmente pelo rei, o maior dentre o povo de DEUS. Se nem o rei respeita os acordos, então a nação vai em direção a desordem e caos.

Então, no tempo de Davi veio uma seca, que já durava três anos. Davi dessa vez consultou a DEUS, pois para isso ele não possuía competência para discernir o que era, e descobriu que havia culpa de sangue. Sim, a culpa estava na casa de Saul, pelo que ele havia feito aos gibeonitas, quando já havia um tratado com eles. Ele, o rei, deveria ter respeitado esse tratado, mas fez o contrário, agiu pelo princípio da justiça pelas próprias mãos, do seu jeito.

Agora que vem o grande problema. Davi foi perguntar aos gibeonitas para saber o que eles queriam que fosse feito, a fim de resolver o problema que DEUS lhe identificou. Mas, por que Davi foi perguntar isso aos gibeonitas, e não a DEUS quem diagnosticou a situação? Veja só que decisão trágica do rei: primeiro, ele pergunta a DEUS qual a causa da situação. DEUS a identifica. E agora ele vai aos gibeonitas, não mais a DEUS, para saber deles o que se deve fazer. É obvio, eles estavam com sede de sangue, revoltados contra Saul, e queria vingança, e foi o que pediram, que se matassem sete descendentes de Saul. E no exato momento desse pedido, Davi o atendeu. Nem perguntou nada a DEUS. Devemos ter sempre em mente que essas mortes nada têm a ver com a vontade de DEUS. Isso foi mais uma das decisões precipitadas de Davi. Erros, erros e mais erros, e suas respectivas consequências. Aqui, erro dos gibeonitas ao se fazerem de pobres cidadãos de muito longe; erro de Josué em fazer acordo com eles nessas condições, sem perguntar a DEUS e sem respeitar uma ordem anterior de DEUS; erro de Saul em querer eliminar os gibeonitas passando por cima de um acordo; erro dos gibeonitas em querer vingança contra a casa de Saul; erro de Davi em atender o pedido de vingança. Se descuidarmos, um erro atrai outro erro, e se torna numa sucessão deles, que sempre vão a uma situação pior que a     anterior. Erros nunca tendem, ao natural, melhorar a situação.

Então é que entra Rispa na história. Ela foi uma das concubinas de Saul. Teve dois filhos com ele. E esses dois filhos entraram na conta das mortes pedidas pelos gibeonitas. E a nós, muito interessa a atitude dessa mãe, que nunca foi esposa. Ela nos ensina algo muito importante sobre fidelidade. Isso é o que estudaremos amanhã.

  1. Quarta: Fidelidade é um estilo de vida

Hoje enfatizaremos em Rispa, mas não sem antes contextualizar, mais uma vez. Os gieonitas, que tempos anteriores, enganaram os israelitas, agora, pediam sete descendentes de Saul para os matar. Não foi DEUS quem determinou tal forma de expiação. Os gibeonitas pediram e Davi atendeu. Mas cabia a Davi consultar a DEUS sobre essa questão, pois não se tratava de algo de menor importância. Então Davi escolheu sete dos descendentes de Saul. Dois desses eram filhos de Rispa. Ele os entregou aos gibeonitas, que os enforcaram num mesmo dia.

É agora que entra Rispa. Ela fez uma pequena cabana sobre uma pedra. Por piso, colocou um pano rústico, e assim também por cobertura. Naquele lugar, de dia é quente, e de noite, frio. E ela ficou ali vigiando os sete, tanto os cinco filhos de Merabi (que era filha de Saul), quanto os dela. A outra mãe não apareceu lá, não se sabe por qual razão. Talvez já estivesse até morta. Mas Rispa cuidou de seus filhos e dos outros cinco. O que ela fazia de fato? De dia ela espantava os corvos, que queriam devorar as carnes que se iam degenerando, e de noite ela cuidava para que feras do campo não viessem comer os restos mortais. Os corpos deles, por exigência dos gibeonitas deveriam ficar ali estendidos.

Aqui, em poucas linhas, se pode aprender muita coisa de uma mãe. Quanto ela não deve ter sofrido por ter de entregar seus filhos a Davi, que os entregou aos gibeonitas. E vê-se que ela não deve ter reclamado, mas submissa, enfrentou, sozinha, a situação. Quão sofrida é a vida de muitas mulheres, daqueles tempos e dos dias atuais. Elas são na realidade incompreendidas por muitos homens, que muitas vezes, nelas só veem objetos de prazer e de exploração. Hoje, muitas mulheres servem para vender de tudo o que se imagina, mas principalmente roupa; servem para atrair a programas de televisão, filmes e estórias de mau gosto; servem para homens de todas as classes como satisfação sexual, e muitas outras bestialidades. Nada melhorou nesse mundo de pecado, com relação aos maus tratos às mulheres.

Naqueles tempos, Saul se beneficiou de Rispa para seus prazeres sexuais e para dela obter filhos, e Davi se valeu dela, como tinha filhos, para satisfazer a ganância de vingança dos gibeonitas. Nem Saul nem Davi perguntaram a Rispa o que ela queria, quais eram seus sonhos, qual seria a sua vontade. Isso naqueles tempos não valia. Felizes as mulheres (poucas) que hoje tem um marido fiel e amável. Essas devem agradecer a DEUS, todos os dias, pois são poucas.

Apesar de tudo estar, sempre, contra Rispa (pois o que adiantava viver num palácio, ter filhos, mas não ter um marido fiel?), ela foi uma mulher da qual não se tem relato de ter desanimado nem de ter amaldiçoado a Davi, a DEUS, ou aos gibeonitas. Ela parece que não se queixou, mas simplesmente foi proteger seus filhos e os outros cinco rapazes também enforcados.

Nós, hoje, necessitamos de pessoas assim. Não de pessoas cegas aos erros, e que se conformam com eles, mas de pessoas que por causa da existência de erros não desanimam da fé, nem se afastam de seu dever. Essa é a grande lição de Rispa, do que dela dependia, cumpriu sua parte. Não pôde defender a vida de seus filhos, pois um rei estava por trás da ordem, mas os protegeu o quanto pôde, para que tivessem um mínimo de dignidade, mesmo após terem sido vilmente mortos.

E Davi? Bem, depois que começou a chover, lhe informaram sobre o que Rispa fazia. Então ele mandou que buscassem os ossos de Saul, o pai deles, e de Jônatas, seu filho, e junto com aqueles sete homens, o que deles ainda restava, para os sepultarem. Só então Rispa se foi dali, para a sua casa.

Rispa, um exemplo de esposa, embora fosse apenas uma concubina, um exemplo de mãe, embora seu parido, e o pai de seus filhos não o fosse, um exemplo de filha de DEUS, embora os demais lhe exigiam até seus filhos para seus modos de justiça.

  1. Quinta: Construindo uma nação

O texto que se estuda hoje é muito sutil. É de se crer que diz mais nas entrelinhas que no texto. Ele está em 2 Sam. 21:10 a 14. Ali diz que Rispa acampou-se humildemente perto dos corpos de seus dois filhos e dos outros cinco netos de Saul, filhos de Merabi (2 Sam. 21:8) que não sabemos se ainda estava viva, e os cuidou, de dia e de noite. Não se sabe por quanto tempo ela fez isso, se alguns dias, se semanas, se meses. Ficou ali desde o início da ceifa até que choveu. Sabemos é que ela teve uma atitude de mãe, simplesmente. Ela cuidou dos descendetes insepultos de Saul. Ela não reclamou dos gibeonitas nem de Davi, e nem das intrigas entre Israel e Judá. Ela não se envolveu nas questões políticas. E as pessoas viam sua atitude diária, e eram fortemente influenciadas.

Agora tente imaginar se isso acontecesse hoje. Vamos visualizar, uma mulher, mãe, atenta a seus filhos, dia e noite, num lugar ermo, cuidando de seus corpos. Que impacto isso daria? Seria um potente fato midiático. O mundo todo o saberia, em algumas horas. Todos comentariam. E o efeito da mulher seria tremendamente positivo sobre os pensamentos das pessoas. Assim foi, por exemplo, o resgate dos 33 mineiros no Chile.

Naqueles tempos não havia televisão nem rádio. Mas uma coisa é certa, o inusitado do fato, uma mulher só, desamparada, sem apoio de ninguém (nem do rei Davi), em estado de extrema fragilidade, só com um pano no chão e outro por cima como cobertura, correndo risco de ser assaltada ou atacada por alguma fera, estava ali, silenciosamente, sem nenhuma ajuda, protegendo os corpos de sete homens. Esse é o fato.

As pessoas ficaram sabendo, menos o rei Davi, senão quando lhe contaram. Só então ele tomou as providências que já deveria ter tomado no dia do enforcamento. Aliás, o ter ele entregue esses homens aos gibeonitas, que conquistaram o favor dos israelitas por meio de fraude, em si, é um grave erro. Mas o ter abandonado seus corpos ao relento, com uma mãe sofrendo por seus filhos, eis aí a maior tragédia produzida pela indiferença pelos sentimentos dos outros.

Enfim, Davi, que deveria ser o exemplo para a nação, só se deu conta do drama de Rispa quando lhe contaram. Então toma uma atitude digna, e recolhe os ossos de Saul, o pai desses homens; de Jonatas, o outro irmão deles, e os sepulta todos juntos. Então “DEUS Se tornou favorável para com a terra” (2 Sam. 21:14, u.p.). Davi, tal como seu comandante Joabe, tal como Abner, era homem de guerra, acostumado a mortes, e se havia tornado frio em relação aos sentimentos humanos. Foi por esse motivo que DEUS não permitiu que ele construísse o templo de Jerusalém. Tinha que ser uma pessoa sensível ao toque do ESPÍRITO SANTO, uma pessoa que não havia desenvolvido o espírito de matar. A diferença entre Davi e aqueles comandantes era uma: ele se arrependia de seus atos, eles não. Por esse motivo DEUS amou a Davi. Aliás, que pai e que mãe não ama um filho peralta mas que se arrepende?

O final dessa história dá a entender que DEUS não aprovou as mortes, pois mesmo com elas, continuava a seca. Ela só terminou quando Davi reuniu os restos mortais da família e deu a eles uma sepultura digna.

O que podemos aprender de tudo isso? De Rispa, a humildade e a fidelidade a seus filhos. Ela nunca deixou de ser mãe. Mesmo havendo tremenda injustiça, ela não perdeu tempo em reclamar da injustiça (e isso não quer dizer que não devemos buscar a justiça). Ela fez o que era prioritário naqueles dias, protegeu os corpos. Isso deve ter criado um efeito positivo nas mentes de muitas pessoas. Será que alguém daquela nação não ficou sabendo sobre o que ela fazia? A consternação e os sentimentos de compaixão para com ela fez que refletissem sobre a bobeira de brigas entre as tribos, e que subissem a pensamentos mais elevados, os da reconciliação. Fato é que daqueles dias em diante, houve unidade entre as tribos, fizeram as pazes. Até que ponto a atitude isolada e persistente daquela mulher influenciou nesse sentido, não sabemos, mas a coincidência é impressionante. Desde pouco depois que vieram a sua terra, passaram a brigar entre si, e a partir desse fato, pararam. Se bem que voltaram nos tempos de Roboão, por motivos e culpa de Salomão e do próprio Roboão.

Finalizando o comentário de hoje. Quem são os personagens humanos ligados a esses fatos? Josué, há muito já morto, e que fez o acordo com os fraudulentos gibeonitas. Ele nem ficou sabendo do que aconteceu bem depois. Saul, que decidiu fazer justiça pelas próprias mãos, tentando eliminar os gibeonitas. Esse também nem ficou sabendo das consequências de seus atos. Davi, que tomou a decisão de matar sete homens que não eram culpados do que seu pai fez. Esse não se importou com os sentimentos da mãe de dois deles (a outra mãe não temos informação do que fez, ou se ainda vivia) e também não indagou a DEUS sobre o que deveria fazer, nem avaliou se era correto matar os descendentes de Saul pelo que ele fez. E Rispa, dentro todos esses personagens, a pessoa menos graduada, menos importante. No entanto, o escritor bíblico fez questão de identificar essa mulher pelo nome de seu pai e de ser concubina de Saul. E, dentre todos esses grandes nomes, foi ela quem, sem usar poder nem de articulação política, somente cumprindo o seu dever, que influenciou para a reconciliação de toda uma nação. Ela fez a sua parte, e o resultado foi positivo e gigantesco. Agora, imagina, se cada um fizer a sua. E se mais pessoas, hoje, fizerem a sua parte, para unir a igreja? Sabe qual será o resultado? O derramamento do ESPÍRITO SANTO, a conclusão da pregação e a volta de CRISTO.

  1. Aplicação do estudo Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:

Nesta semana estudamos sobre como a fidelidade de uma mulher sem grande expressão mudou toda uma nação. Assim como o drama do resgate dos mineiros fez o mundo pensar, a atitude de Rispa fez todo o povo de DEUS pensar. O ponto central aqui é a fidelidade.

Mas fidelidade a quê? Em que aspecto Rispa foi fiel?

Ela foi uma mãe fiel. Uma sociedade, para ser organizada, para haver respeito aos princípios e às leis, precisa de mães e pais fiéis. As bases da educação numa sociedade estão no pai e na mãe. E na sociedade degenerada que temos, mais na mãe que no pai. Na realidade, o pai deveria ser o sacerdote do lar, aquele que institui os princípios de vida. Mas quantos homens, mesmo na igreja, desempenham esse papel? Raros! Ao homem, no lar, cabe fazer o papel que JESUS CRISTO faz na igreja. É ele que deve manter e formar, na mulher e nos filhos, o valor e a obediência a princípios de vida. Em geral, pela natureza, as mulheres são atraídas para o mundo das vaidades, e o marido, deveria ser a bússola norteadora nesse sentido para mantê-la no caminho equilibrado. Isso hoje em dia nem mesmo grande parte dos pastores faz. O que esperar dos maridos leigos? O que, na verdade, muitos homens desejam é ver em sua esposa o mesmo objeto de desejo sensual que a televisão vai fabricando, algo artificial, com exageros de formas, desenhos e cores, destacando a sensualidade, envolucrado numa roupa que destaque isso tudo. Parece que hoje grande parte dos homens, quando sai com sua esposa, diz assim: olhem o objeto de desejos que eu tenho em casa. E isso existe na igreja, e muito. Aliás, já não se prega mais sobre esse assunto, exceto um ou outro corajoso ou corajosa. Mas no final do sermão, vem os puxões de orelhas dos que se sentiram atingidos. Pastores que com suas esposas ainda seguem a linha da modéstia e simplicidade, (e eles existem mesmo), já não arriscam pregar sobre esse assunto, pois, muitas vezes o presidente dele, e sua casa, já se voltou para o mundanismo. E agora, como alertar as humildes ovelhas se o pastor está de mãos amarradas pelo mau testemunho de seu presidente? São bem difíceis esses últimos dias na Terra. Não são só os membros leigos que enfrentam crescentes dificuldades em suas atividades profissionais, até mesmo os ministros conscientes correm ameaças e perigos, se quiserem ser corretos com DEUS.

Pois, se os homens estão renunciando ao seu papel de sacerdotes do lar, o que vemos em nossos dias, é algo parecido à vida de Rispa e de Ana (a mulher de Elcana). Lembram da fidelidade de Ana? Ela foi fiel a que ou a quem? Foi fiel a DEUS. E Rispa foi fiel a que ou a quem? Ela foi fiel aos seus filhos. Destaque-se que, para ela ser fiel a seus filhos teve que, acima de tudo, ser também fiel a DEUS.

Se os pais, e maridos, devem desempenhar o papel no lar que JESUS desempenha na igreja, a mãe, e esposa, a ela caba desempenhar o papel que o ESPÍRITO SANTO desempenha na igreja, isto é:ensinar e orientar, com amor, para a obediência daqueles princípios que o marido deve sustentar. Ela ensina a quem? Os filhos! E também o próprio marido. Nos lares onde é assim que funciona, há salvação, e proteção contra o mundanismo.

Rispa, quando mataram seus dois únicos filhos, como já estudamos, mesmo mortos, não os abandonou. Ficou com eles, protegendo-os, até que fossem sepultados. Isso é fidelidade. Mas não ficou nisso. Ela também cuidou dos cinco enforcados. Ela protegeu os cinco filhos de Merabi também, e do mesmo modo como fez com os seus dois filhos. Isso é amor, e não há outra explicação. Isso é o mesmo amor que JESUS demonstrou na cruz, ao dar a Sua vida por todos, bons e maus, amigos ou inimigos. Todos, se desejarem, poderão ser salvos. Aqui está a demonstração de fidelidade de Rispa. Esse foi o seu ponto de fidelidade. Ela agiu semelhantemente como JESUS agiria no futuro, impulsionada pelos mesmos sentimentos.

Mas como podemos entender esse ponto de fidelidade, que foi para com os filhos? Ou seja, ela foi mãe de verdade. Aí temos que olhar um pouco para o contexto maior.

Ela teve esses filhos com o rei Saul. E Saul certamente não foi um grande pai, certamente ele não servia de exemplo (como em muitos casos hoje em dia). Em resumo, Saul foi um homem estúpido, que se afastava cada vez mais de DEUS. E quando o marido não é um bom pai, nem um bom companheiro, nem um bom exemplo, ocorre um fenômeno que podemos presenciar em muitas mulheres. Elas assumem o papel do pai, adicionado ao da mãe, e se sacrificam, e tratam de salvar os filhos da má influência do pai. Isso é bem frequente. É uma mulher que ama seus filhos, que sente que eles vieram de dentro dela, e fica ligada a eles, e faz tudo por eles. Esse faz tudo por eles, no caso de uma mãe cristã, leva-a a ensiná-los e protegê-los contra o mundo, buscando salvá-los da influência do mundo. Quando o marido e pai falha, muitas mães fazem o papel duplo, de pai e de mãe. Elas então buscam manter os princípios de fidelidade a DEUS e também buscam ensinar a seus filhos.

Isso foi o que Rispa fez. Mas o que ela fez, só se tornou destaque nacional quando ocorreu uma tragédia. Quando tudo corria normalmente, ninguém se deu conta, nem importância, sobre como Rispa cuidava de seus dois filhos. É sempre assim: pessoas comuns só recebem destaque quando algo que chama grande atenção acontece. Foi assim também com as mães dos mineiros do Chile: elas fizeram plantão junto a boca da mina por mais de dois meses, até que seus filhos saíram de lá; só então foram embora. E isso o mundo viu, mas o mundo nem se importava como elas eram mães enquanto a tragédia não aconteceu.

Rispa nos faz lembrar o seguinte. No final dos tempos, quando vier o decreto dominical, serão as pessoas comuns e simples, muitas com pouco estudo, que se evidenciarão na pregação do evangelho. Essas pessoas que hoje são humildes e muitas vezes desprezadas, mas que mantém fidelidade a DEUS e seus princípios de vida, que atentam para os escritos da Bíblia e do Espírito de Profecia, e os seguem pondo-os em prática, elas terão capacidade de continuarem fiéis quando a oposição furiosa se levantar. Quando a tempestade da opressão novamente se abater sobre o mundo, esses homens e mulheres fiéis ficarão em pé, anunciando a verdade com o poder do ESPÍRITO SANTO. Só eles ficarão em pé; os demais, fugirão da igreja, e até se tornarão em seus maiores inimigos.

Rispa tem lições para nós hoje, quanto à questão da fidelidade. Ela pode nos ensinar o caminho de como ficarmos em pé em tempos que só os fiéis poderão suportar manter-se obedientes a DEUS.

escrito entre:  13/10 a 19/10/2010 – revisado em  20/10/2010

corrigido por Jair Bezerra

Declaração do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

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