Estudo nº 05 – Abigail: Senhora das Circunstâncias – Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks

Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Quarto Trimestre
de 2010

Tema geral do trimestre: Figuras dos Bastidores

Estudo nº 05   
Abigail: Senhora das Circunstâncias

Semana de   23 a 30 de outubro

Comentário
auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de
Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul – UNIJUÍ (RS)

Este
comentário é meramente complementar ao estudo da lição original

www.cristovoltara.com.br - marks@unijui.edu.br - Fone/fax: (55) 3332.4868

Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil

 

Verso para
memorizar
:
“No coração do
prudente, repousa a sabedoria, mas o que há no interior dos insensatos vem a
lume” (Prov. 14:33).

 

Introdução de sábado à tarde

Nessa semana
estudaremos uma história bem interessante. Há lances e fatos curiosos. Trata-se
da história de Abigail. Ela era uma mulher sobremaneira bonita e assim, de
igual forma, também era inteligente. Mas fora casada com Nabal, homem muito
rico, certamente por herança, mas que não possuía sabedoria. Ele era uma pessoa
que não sabia avaliar as circunstâncias, e cometia erros bobos, como os de quem
não pensa nas consequências do que vai fazer.

O nome Abigail
quer dizer algo como “o orgulho do pai”. Refere-se a uma mulher determinada,
corajosa, inteligente, sábia. E Nabal quer dizer “tolo”. É evidente que quem
faz o conceito do nome é a pessoa que o possui. Judas, por exemplo, quer dizer traidor
ou inimigo na trincheira, mas assumiu esse sentido porque Judas agiu dessa
maneira. O nome de cada pessoa possui o conceito que o caráter dessa pessoa vai
formando na mente das outras pessoas. Por exemplo, que conceito lhe vem à
cabeça quando se lembra dos seguintes nomes ou apelidos: Adolf Hitler; Lalau e
Fernandinho Beira Mar? Vem à mente o conceito que eles mesmos criaram. E qual
conceito que lhe vem à mente, ao lembrar esses outros nomes: Davi, João Batista,
Ester e Maria, mãe de JESUS? E o que lhe vem à mente ao ouvir o nome de JESUS?
O conceito que as pessoas têm ao lembrarem de um nome vem daquilo que a pessoa
formou ao longo da vida.

“A piedade de
Abigail, como a fragrância de uma flor, se desprendia inconscientemente em fé,
palavras e ações. O Espírito do Filho de Deus habitava em sua mente. Seu
coração estava cheio de pureza, bondade, e amor santificado. Suas palavras,
temperadas com graça, e cheias de bondade e paz, espalhavam uma influência
celestial. Impulsos superiores surgiram em Davi, e ele tremeu ao pensar em
quais poderiam ter sido as consequências de sua precipitada resolução. Uma
família toda teria sido morta, contendo mais do que uma pessoa temente a Deus,
como Abigail, a qual se empenhara no bendito ministério da bondade. Suas palavras
curaram o ferido coração de Davi.

“Quem dera que
houvesse mais mulheres que acalmassem sentimentos irritados, impedissem
resoluções precipitadas, e reprimissem grandes males por meio de palavras de
calma e bem orientada sabedoria. "Bem-aventurados os pacificadores, porque
serão chamados filhos de Deus." Mat. 5:9.

“Uma vida
cristã consagrada está sempre difundindo luz, conforto e paz. É pureza, tato,
simplicidade, e utilidade. É controlada pelo amor altruísta que santifica a
influência. É cheia de Cristo, e deixa um rasto de luz onde quer que seu
possuidor vá. Abigail sabia repreender e aconselhar com sabedoria. A raiva de
Davi se extinguiu sob o poder de sua influência e argumentos. Ele se convenceu
de que havia assumido uma linha de conduta imprudente, e de que havia perdido o
controle de seu temperamento. Recebeu a reprovação com humildade de coração.
… E agradeceu e bendisse porque ela o aconselhou com razão.

“Há muitos
que, ao serem repreendidos ou aconselhados, acham que é louvável receber a repreensão
sem ficar impacientes. Mas quão poucos aceitam a reprovação com gratidão de
coração, e bendizem aqueles que procuram preservá-los de adotar um mau procedimento.

“Abigail se
rejubilou pelo fato de sua missão ter alcançado êxito, e por ter sido um instrumento
para salvar sua família da morte. Davi se rejubilou porque, através de seu oportuno
conselho, foi impedido de cometer atos de violência e vingança. Após meditar,
percebeu que isso teria sido causa de descrédito para ele, perante Israel, e
seria uma lembrança que sempre lhe teria causado o mais profundo remorso.
Sentiu que ele e seus homens tinham o maior motivo para serem gratos. …

“Quando Davi
soube da morte de Nabal, agradeceu a Deus por ter tomado a vingança em Suas
próprias mãos” (Refletindo a CRISTO, MM, 1986, p. 325).

 

  1. Primeiro dia:
    Alguém que ouça

Um erro atrai
outro erro. O outro erro, o segundo, atrai mais outros, e assim sucessivamente,
até que a situação degenere, e aí se tem uma briga ou guerra, enfim, a destruição.
Davi era um homem que respeitava as pessoas. Em suas andanças com seus 600 homens
precisava de suprimentos, principalmente alimento. Mas ele pedia isso aos moradores
do interior. Ou ele fazia alguma batalha contra algum povo pagão. Fato é que
Davi possuía muito suprimento e bens, despojos das guerras que fazia. Assim o
grupo se sustentava. Perceba que 600 homens de guerra, comem, por mês, em torno
de 36 toneladas de alimento. Precisam estar bem nutridos para lutar. Em guerra,
muita gente passa fome, mas dificilmente os soldados. Na segunda guerra mundial
havia fome na Europa e na Ásia, mas os soldados eram bem alimentados.

Então Davi,
que estava nas cercanias das terras de Nabal, no tempo de tosquia, tempo em que
os fazendeiros costumavam dar presentes, resolveu enviar dez moços para pedir a
esse abastado alguma coisa para a sua campanha de guerra. Nabal era homem muito
rico, mas de pouca capacidade intelectual quanto ao raciocínio sábio. Ele se
via como o centro do mundo, e achava ser insuperável. Zombou de Davi,
perguntando que ele era afinal. Insinuou tratar-se de algum escravo fujão de
seu senhor. Ou se referia a Saul como senhor, do qual Davi fugia. Nabal
desprezou Davi e o minimizou ao pó, mandando de volta seus homens, não apenas
sem nada, como irritados pela forma como fora humilhado seu líder maior, que
sabiam seria o futuro rei.

O relato dos
dez homens incendiou a ira de Davi. De imediato, esse homem que foi tão sábio
diante de Saul que tivera oportunidade para matar, mas não o fez, sem pensar muito
determinou arrasar Nabal e suas propriedades. Houve o erro de Nabal, agora
estava em andamento outro erro, o de Davi.

Então entra em
cena uma mulher: Abigail,  dona de muita
sabedoria. Um empregado de Nabal, muito mais sábio que seu patrão, percebeu
pelo semblante dos soldados de Davi, de como se viraram e foram embora, que
coisa boa dali não viria. Dirigiu-se de imediato à esposa de Nabal, e lhe
relatou o ocorrido. “Nabal acusou falsamente a Davi e seus homens para justificar
seu egoísmo, e classificou Davi e seus seguidores como escravos fugitivos. …
Um dos jovens a serviço de Nabal, temendo os maus resultados que viriam no
rastro da insolência do patrão, foi e informou o caso à esposa de Nabal,
sabendo que ela possuía um espírito diferente do de seu esposo e era uma mulher
de grande prudência. Ele descreveu o verdadeiro caráter de Nabal enquanto
apresentava as dificuldades a ela, dizendo: "Agora, pois, considera e vê o
que hás de fazer, porque já o mal está, de fato, determinado contra o nosso
senhor e contra toda a sua casa; e ele é filho de Belial, e não há quem lhe
possa falar." I Sam. 25:17” (CRISTO Triunfante, MM, 2002, 143). Ela também
sendo sábia, interpretou o fato do modo correto, e passou a agir corretamente.
Ela nem mesmo informou Nabal sobre o que faria, nem buscaria convencê-lo da
situação de emergência que se formava contra todos ali. “Abigail viu que algo
precisava ser feito para impedir o resultado da falta de Nabal, e que ela devia
assumir a responsabilidade de agir imediatamente, sem o conselho de seu esposo.
Sabia que seria inútil falar com ele, pois tão-somente lhe receberia a proposta
com agressividade e desprezo. Repetiria para ela que era ele o senhor da casa,
que ela era sua esposa e, portanto, sujeita a ele, devendo fazer o que ele
ditasse. … Ela reuniu os mantimentos que julgou necessários para aplacar a
ira de Davi, pois sabia que ele estava decidido a vingar-se pelo insulto
recebido” (CRISTO Triunfante, MM, 2002, 143).

Ela juntou
alguns empregados, preparou um belo presente, e de imediato foi até Davi. Lá,
em ato de humildade, falou ao coração de Davi, pedindo perdão e denunciando a
estultícia de seu marido. “Encontrou-os no encoberto de um monte. "Vendo,
pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o
seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra. E lançou-se a seus pés, e
disse: Ah, senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua
serva aos teus ouvidos." I Sam. 25:23 e 24. Abigail dirigiu-se a Davi com
tanta reverência como se falasse a um rei coroado. Nabal tinha
escarnecedoramente exclamado: "Quem é Davi?" (I Sam. 25:10) mas
Abigail chamara-o "senhor meu." Com amáveis palavras ela procurou
abrandar-lhe os sentimentos irritados, e pleiteou com ele em favor de seu
esposo. Nada tendo de ostentação ou orgulho, antes cheia da sabedoria e amor de
Deus, Abigail revelou a força de sua devoção para com sua casa, e esclareceu a
Davi que o procedimento indelicado de seu marido de nenhuma maneira fora
premeditado contra ele como uma afronta pessoal, mas que simplesmente tinha
sido a explosão de uma natureza infeliz e egoísta” (Patriarcas e Profetas,
666).

Um erro puxa
outro erro, mas a resposta branda suaviza e resolve os problemas, mesmo os
grades.

 

  1. Segunda: Ações falam mais alto que palavras

Vamos narrar
os fatos de um modo sucinto. Pensemos nas cenas e nas motivações das pessoas.

Os dez homens
de Davi saíram de diante de Nabal humilhados. O arrogante Nabal havia
desprezado o seu senhor, junto do qual lutavam, em quem acreditavam. Esses
homens eram fiéis a Davi, senão não estariam com ele em suas jornadas de
aventuras.

Ao eles
chegarem diante de Davi, certamente lhe passaram seus sentimentos de ódio pelo
que ouviram, sentimentos em nome de Davi. Isso é natural a seres humanos. Por isso devemos ter grande cuidado ao
levar uma notícia ou informação a outras pessoas. Conforme falarmos, podemos
influenciar para o bem ou para o mal. Dependendo com que sentimentos
transmitirmos a informação podemos incendiar as emoções e motivações de outras
pessoas, e induzi-las a erros graves.

Davi não
perdeu tempo. Convocou 400 homens dos 600 que estavam com ele, e se dispôs a
marchar até às posses de Nabal afim de matar todos as pessoas do sexo masculino.
Ficou apossado de um desejo de vingança. Nisso empenhava-se sem perda de tempo.

Por outro
lado, Abigail, também sem perda de tempo, aprontou um presente de luxo, do
melhor que possuía, para levar até Davi. Ela bem sabia do risco que todos
estavam correndo. Dos dois lados havia
pressa: de um, para fazer justiça com as próprias mãos; do outro, para tentar
resolver o problema de forma inteligente, como DEUS deseja, não como nós seres
humanos muitas vezes achamos melhor.

Encontraram-se
os dois grupos no caminho. Eram 400 homens de um lado e uma mulher com um
punhado de servos e um presente de outro lado. E DEUS estava no meio.

Essa história
se repetia. Séculos antes, Jacó, com um presente e um grupo de homens se
achegava humildemente diante de Esaú com seus 400 valentes guerreiros, para
tentar aplacar a ira de destruição que estava em seu irmão. A humildade, nas
duas ocasiões venceu o ódio. Isso pode nos servir de lição, pois, em nossas
famílias, muitas vezes falta humildade. O ótimo é quando as duas partes, ou
todas as pessoas, havendo problemas na família, se tornassem humildes. Assim se
resolveriam todos os problemas. Se apenas uma parte se tornar humilde, há
grande chance dos problemas se resolverem. Mas
se as partes não cederem em nada, só uma coisa é certa: os problemas
aumentarão, até que algo ruim aconteça.

Abigail parou
bem diante de Davi. Este deve ter ficado boquiaberto pelo fato de uma mulher
tão linda e sábia ser a esposa de um homem tão imbecil. É de se crer que ele
tenha ficado mudo diante da cena inusitada. O que ele via? Uma mulher
encurvada, rosto ao chão, em atitude de grande humildade, dizendo que seu
marido é um homem sem capacidade de bom senso, e que ela não estava no local
quando os dez moços pediam um presente a Nabal. Estivesse ali, a história seria
diferente. Agora ela tentava impedir que Davi cometesse outro erro, derivado do
primeiro. Ela fez Davi entender que
jamais ele, o futuro rei em Israel, merecia ter inimigos tão insignificantes
como Nabal. Um rei não deve se envolver com pessoas bobas, desmioladas e
insignificantes. Não vale a pena.

E Davi ouvia.
Agora era influenciado por palavras suaves, humildes e carregadas de
inteligência. Eram poderosas palavras. E ele certamente percebia toda a beleza
da mulher. Deve ter pesado: que pena que essa mulher está casada com um tonto
que não vale nada, embora muito rico.

Nabal era tão
sem caráter e sem percepção das cosias que nem notou a ausência da mulher.
Voltando ela, este estava em meio a uma festa, bebendo e se divertindo. Será
que ele não comemorava sua atitude com Davi? Um dia saberemos, mas é uma
possibilidade. Se ela não fosse até Davi, seria assim que encontrariam Nabal,
bêbado, e matariam a todos sem a menor resistência. Bem assim como foi
destruído Belsazar, o rei de Babilônia, quando ele e seus grandes bebiam vinho
enquanto os inimigos entravam por baixo dos muros, pelo leito seco do rio Eufrates.

No dia
seguinte, ao Abigail chamar Nabal e lhe contar o que havia ocorrido, este se
deu conta do risco que haviam passado, e ficou entorpecido, tão apavorado que
perdeu a capacidade de raciocinar. Entrou em estresse profundo. Veja só, ele
que queria ser grande coisa, agora, diante de seus muitos servos, tem de passar
pela vergonha de ter sido salvo por sua mulher. Enquanto a mulher agira pela
vida deles, faziam festa. E nem ao menos
teve o bom senso de, após ver a sua burrice, agradecer a mulher e concertar as
coisas, isto é, ir ele mesmo até Davi, levando mais presentes, e fazendo uma
boa aliança.
Assim se redimiria, e teria paz. Mas Nabal nunca havia
desenvolvido o entendimento das atitudes sábias. Ele vendo o que quase acontecera,
ficou petrificado por uns dias, até que morreu.

Não demorou
muito, Davi soube da morte de Nabal, e deve ter pensado, “aquela mulher
inteligente e bonita merece ser esposa de rei.” Que ninguém tenha dúvidas dele
ter-se encantado por sua beleza e inteligência. Mandou chamá-la para ser sua
esposa. E ela foi. Ela deve ter pensado: bem melhor ser esposa de um rei do que
de um Nabal… Em lugar de Nabal, com Davi, “nada mal”.

 

  1. Terça: Tempo de falar

Diante de
Davi, Abigail foi uma pessoa nobre. Ela foi nobre como JESUS foi a caminho da
cruz. Ela portou-se com nobreza celeste. Ela não foi a Davi para convencê-lo do
que deveria fazer, nem tão pouco para impedir que fizesse algo. Ela simplesmente
expôs os fatos, e lhe encaminhou sugestões, para que Davi decidisse o que fazer.

A primeira
coisa que fez foi saudar Davi como ele já sendo rei, chamando-o de senhor, e
ela se posicionando como sua serva. Então ela disse a Davi algo de grande sabedoria,
que ele não se importasse com Nabal, filho de Belial (satanás), que ele não
passa de um louco. Então ela, numa atitude de grande coragem, expôs a Davi que,
por ela, DEUS estava impedindo o
derramamento de sangue, de um louco, Nabal, e de inocentes, os servos dele.

Ela pediu que os inimigos de Davi fosse todos como Nabal, isto é, desmiolados e
sem sabedoria, portanto, fáceis de serem vencidos. Na verdade, assim foi.

Na sequência
ela ofereceu os presentes a Davi. Por fim, ela pediu que Davi os perdoasse. O
perdão que ela pediu foi a ousadia dela mesma ter-se apresentado diante de
Davi. Desejou que DEUS fizesse firme a casa de Davi, e que os inimigos dele
fossem sempre derrotados. Ela lembrou
que Davi era o ungido do Senhor, e que seria rei em Israel.
Então
, de uma
sabedoria impressionante,
ela disse que, no futuro, sendo ele rei, este
sangue que derramaria com a vingança contra Nabal, não viesse a lhe ser uma
tortura, dor na consciência, por ter feito algo precipitado.
Evitando essa
precipitação, certo seria de que o seu reino teria mais solidez, pois não
haveria nada do que acusar Davi ao ele ter de ser juiz e fazer justiça de modo
precipitado. E também o seu caráter não ficaria manchado.

Davi bendisse
ao Senhor por ter enviado aquela mulher, e assim evitado o derramamento de
sangue por causa de motivos tão pequenos e insignificantes, que antes, tendo o
seu íntimo ferido, lhe pareciam enormes.

Esse encontro
nos ensina uma grande lição. É a lição do poder da humildade com sabedoria.
Devemos todos procurar conhecimento e sabedoria. Só conhecimento não é suficiente;
só sabedoria não é possível. Não há como ter sabedoria sem conhecimento, mas
pode-se ser muito astuto e mal educado, mesmo tendo conhecimento. Os filhos de DEUS, nesses últimos tempos,
terão o conhecimento da verdade e a sabedoria do alto, e assim, serão
vencedores contra o mundo e suas atrações.
Quem é sábio distingue o que é
conveniente do que não é. Mas quem não tem sabedoria, a propaganda lhe diz como
deve viver, e assim, mesmo dentro da igreja, vai cada dia perdendo um pouco
mais da vida eterna.

 

  1. Quarta: O que Abigail se recusou a fazer

Hoje, não
poucas mulheres são casadas ou de alguma forma unidas com homens destituídos de
sabedoria. Muitos abusam de suas esposas, até batem nelas, e tornam a vida
delas um inferno, sem perspectivas de realização do sonho de toda mulher: ser feliz com alguém. Estão a
trabalho do grande inimigo da vida e da felicidade. A tal ponto é intenso esse
problema que até há lei para esses casos bem como delegacias de polícia
especializadas em defender as mulheres. Também as mulheres estão sendo
incentivadas a buscar ajuda, ou, nos casos extremos, buscar socorro, denunciar
e se proteger. Afinal, ninguém veio a esse mundo para ser saco de pancada de um
metido a pugilista, ainda mais de um homem com quem uma mulher se uniu em busca
da felicidade.

Aliás, as
moças que ainda são solteiras, cuidem na escolha do parceiro da vida. Não é a
aparência nem a posição social que devem observar ao escolherem seu cônjuge
para toda a vida. Devem olhar para o caráter. E outra coisa, nesses dias
atuais, por pouca coisa os casais se separam. No entanto, a vida é bem melhor, mais
interessante, se for de acordo com o plano de DEUS, isto é, se o casamento for
cimentado pelo amor. A cada ano a vida de um casal que se ama torna-se melhor e
mais prazeroso de ser vivido.

Abigail era
uma mulher incrível. Certamente não vivia os sonhos de uma princesa com um
marido, desde criança sonhado. Naqueles tempos as mulheres deviam casar com um
homem escolhido pelos pais, ou algum homem a escolhia, e ela não podia
rejeitar. Esse tipo de coisa jamais deveria ter feito parte da história. DEUS
fez homens e mulheres livres, e devem sempre ter o direito de fazerem suas
escolhas. Ainda mais aquelas escolhas para toda a vida. A nossa personagem
dessa semana estava casada com um homem que jamais deveria ter essa mulher. Não
a merecia. Ela, sábia; ele, tolo, como diziam, filho de Belial. Essa expressão
significava alguém que simpatizava com o demônio, portanto, uma pessoa de
difícil trato. Não significava que um filho de Belial se tivesse entregue a
satanás, mas que o seu comportamento era como alguém vinculado a satanás.

Agora, tente
imaginar a vida de Abigail. Como essa mulher se sentia ao lado de um homem
assim! Feliz é que ela não era, isso é evidente. E tente imaginar, ela,
submissa a um homem como Nabal, por toda a vida. A vida dela estava fadada a
nunca ser feliz. Ou acha que uma mulher pode ter alguma esperança de mudança da
situação, sabendo que ele não tem sequer percepção de que a vida poderia ser
melhor? Na verdade, nem ele era feliz, pois o seu estilo de vida, embora lhe
satisfizesse, não lhe permitia conhecer possibilidade melhor. Vivia o seu mundo
como numa prisão psicológica, sem jamais ter tido a curiosidade de buscar descobrir
se a vida poderia ser diferente.

Pois bem,
agora raciocine comigo. Nessas condições, com um homem desses, fadada a ser uma
mulher sem jamais experimentar a verdadeira felicidade, ela teria ou não tentação
de se livrar dele? Tudo indica que sim. Mas
em tudo o que ela fez, após o infeliz episódio de Nabal com os moços de Davi,
não há o menor indício nesse sentido. Pode-se auferir que, ela, tendo uma
oportunidade de, digamos, se livrar de Nabal, mesmo assim, foi fiel a ele, e
foi correta e verdadeira com Davi.
Ela falou toda a verdade a Davi (vide no
comentário do texto da lição, muito bem elaborado).

O que ela
poderia ter feito, mas que não fez? Ela poderia ter fugido para outro lugar e
deixado que Davi exterminasse a Nabal. Para isso, ela poderia ter levado
consigo os melhores empregados, para voltar posteriormente e reconstruir tudo.
Ela poderia ter tido outro plano, um pouco mais promissor. Poderia ter ido a
Davi e sugerido que este liquidasse apenas com Nabal, denunciando-o como um
homem cruel, que a fazia sofrer. Ela poderia ter ido a Davi para pedir socorro,
que a livrasse de um homem como os próprios soldados de Davi relataram. E
poderia ter-se apresentado a Davi de modo a seduzir sua atenção e interesse por
ela. Enfim, poderia ter tido outros planos, para se livrar de Nabal, que nesse
episódio foi a única causa dos maus ressentimentos. Mas isso ela não fez.

Ela, na
verdade, correu certo risco. Com o gênio intratável de Nabal, se este descobrisse
que a sua esposa estava indo em direção a Davi, com um presente e alguns de
seus moços, era de supor de que esse homem louco fosse atrás para mais outro de
seus atos precipitados, como de costume. Se ele soubesse, podemos ter certeza,
isso não ficaria por nada, ele faria algo de ruim.

Abigail foi
honesta e sincera. Ela não condenou seu marido, mas também não o acobertou. Ela
falou toda a verdade, e foi educada e diplomática. Ela não disse, por exemplo,
que estava farta daquele homem, embora é de se supor que fosse assim. Ela o
suportava submissa.

E mais, ela
defendeu Davi de fazer outra loucura. Lembrou a Davi que ele era o ungido
escolhido de DEUS. E ela mostrou aqui a sua sabedoria, vinda de um caráter que
conhecia DEUS como poucas pessoas. Em vez de tentar se livrar de Nabal, ela
preferiu impedir que Davi se desse mal, envolvendo-se com uma vingança inútil. E toda vingança em si é um erro. Ela poupou Davi de se prejudicar e de criar
um precedente ruim para o seu futuro reinado.
E veja só o que mais: Nabal
seria um tipo de Saul. Assim como poucos
dias depois este homem viria a morrer, sem que Abigail nem Davi fossem responsabilizados,
do mesmo modo, em algum tempo no futuro, o tolo Saul também morreria.
Até
podemos dizer que Nabal estava servindo a Davi como um prognóstico do que
aconteceria a Saul. Assim como Davi não
deveria matar Nabal, também não o deveria fazer com Saul.
E perceba só que
interessante, pouco depois desse incidente, depois de Nabal morrer, Davi outra
vez teve oportunidade de matar Saul, mas ele não o fez. Saul morreria, como
disse Davi, de morte natural, ou em alguma batalha.

Sem que Davi
nem Abigail movessem um dedo, sem que fizessem alguma coisa, tanto a mulher se
viu livre de um homem imprudente, que a fazia passar vergonha e sofrer, como
também ela teve por marido, o rei do país, da nação que ela mesma havia
defendido fosse estável, ao impedir Davi de cometer um erro. Quando nós nos
valemos da sabedoria do alto, tudo o que não devemos, mas que de alguma maneira
deve ser feito, DEUS fará. Nabal e Saul deveriam morrer, mas não por mãos
humanas. Assim foi.

 

  1. Quinta: Dentro e fora

Como foi que
Davi recebeu as palavras de Abigail? Parece evidente que Davi, nada bobo, mas
suscetível a perder a cabeça a se irritar e então agir precipitadamente, visse
duas coisas em Abigail. Ao
ver aquela mulher, elegante e bonita, em atitude de humildade, e ao falar utilizar
palavras escolhidas com muita inteligência, e elaborar um discurso recheado de
sabedoria, é de se supor que ficasse impressionado. Jamais era de esperar, da parte de Nabal, viesse alguém, de forma
inusitada, falando daquela maneira.
A pergunta que se poderia fazer, e com
razão, era: poderia vir algo sábio e inteligente de Nabal? Pois veio. E era tão inteligente que traçou diretrizes
de governo para um rei escolhido por DEUS.
No caso, Davi aprendeu que, como
rei, não deveria perder a cabeça, não se deveria precipitar em
atitudes vãs
, e que não se deveria envolver com miudezas, nem com
pessoas tolas
. Ele deveria, como
rei, tratar de assuntos de alto nível
. Reis não devem cuidar de pequenos
detalhes, isso fica para os assessores. Reis devem governar. E de quem Davi
apreendeu essas diretrizes? Da mulher de um filho de Belial, de um homem cuja
cabeça, além de servir para fazer coisas imbecis, só servia, também, para ali
crescer cabelo (se ele na verdade os tinha).

Ao Abigail
retornar, o que ela presenciou? O seu maridinho, criador de problemas, todo
inconsequente, fazendo festa, e bêbado. Ora, só em pensar, é de se ter dó dessa
mulher, talentosa e atraente, vivendo ao lado de um desmiolado. Nesse mundo tem
cada uma, não é mesmo? Que destino o dessa mulher! Um homem que, certamente não
servia nem para as incumbências de macho, senão, como um animal faminto. Ou, o
que se poderia dizer desse homem, melhor que isso?

No dia
seguinte, ela falou tudo a Nabal. Prudentemente ela aguardou melhores condições
para dar-lhe a notícia do que foi por ela evitado. O homem ficou tão estressado
com o que quase aconteceu, com o que seria dele nesse momento, não fosse a sua
esposa, que sua mente entrou em colapso de temor, e ficou todo petrificado.
Algum mal o acometeu, e não pôde mais reagir. Se tivesse tido algum surto de
eventual sabedoria, teria ido em direção a Davi e humilhando-se feito as pazes.
E isso seria possível, pois Davi já havia desistido da vingança, e até
agradecera a Abigail pelo que ela evitou; não voltaria atrás e não cairia pela
segunda vez no mesmo erro. Mas não, ele, sem saber o que dizer e o que pensar,
entrou em colapso psicológico e dez dias depois morreu.

Davi também
não perdeu tempo. Ao ver Abigail, ao ouvi-la, deve ter pensado: quem foi que
arranjou esse casamento, quem foi que pôs essa linda e sábia mulher nos braços
desse tolo? Deve ter-se indignado com a sorte dela. E não seria de estranhar
que também pensasse: “quem dera eu tivesse chegado antes, e a tivesse por
esposa”. Fato é que, sabendo da morte de Nabal, sem perda de tempo, isto é,
antes que outro espertalhão a tomasse, mandou uma proposta de casamento a
Abigail.

E qual foi a
resposta dela? Foi uma resposta de quem queria exatamente isto, pois, mais uma
vez, do alto de sua sabedoria ela se mostrou uma autêntica mulher filha de
DEUS, e numa composição de palavras tais quais JESUS, de decisão de estilo de
vida tal como JESUS, disse: “Eis aqui tua serva [isto é, estou a disposição], é
criada para lavar os pés dos criados de meu senhor.” Nisso ela estava dando a
entender que Davi poderia ter a liberdade de escolhê-la, ou não. Assim como
JESUS diria no futuro “Eu vim para
servir, não para ser servido
”, ela se dispôs a lavar os pés dos servos de
Davi, afinal, uma vida assim seria bem melhor que esposa de um tolo, Nabal. Mas
a sabedoria de Davi entendeu tudo, e um sábio escolheu uma sábia por esposa. A
mulher que dera algumas diretrizes importantes para um rei tinha tudo para ser
rainha, e não ficar como mulher de um desmiolado, que em meio a iminência de
uma tragédia por ele mesmo provocada, fazia festa e bebia vinho.

 

  1. Aplicação do estudo Sexta-feira, dia
    da preparação para o santo sábado
    :

Veja só, o que
se pode dizer? Nabal, filho de Belial,
mas, Abigail, a esposa, filha de DEUS.
Isso é verdade. Assim se diria num
primeiro momento. Num segundo momento, se diria: Abigail, filha de DEUS e Davi, o homem segundo o coração de DEUS.
Melhorou, não é?

Abigail era
uma mulher autêntica. Ela seguia a sabedoria do alto, que estava com ela, aconselhando
o futuro rei a ser um nobre, a ter atitudes de elevado nível, fazendo-o não por
interesse, mas em sua normal e sincera maneira de viver e proceder. Ali estava
uma mulher que aprendera muitas coisas importantes ao longo da vida. DEUS
estava com ela. Ela evitou que Davi se nivelasse por baixo, que se envolvesse
com ninharias, e com pessoas desprezíveis.

E Davi, caindo
em si, recebeu o conselho dela, que na verdade incluía algo de repreensão,
[veja o que estás por fazer, pagando loucura com loucura], de advertência [para
noutras ocasiões pensar melhor e não se precipitar de novo], de direção [aja
com prudência e com a sabedoria do alto] e de inspiração [vê se você mesmo,
Davi, não se case com uma mulher do tipo que era Nabal]. Essa última parte
estava totalmente implícita. Era de perceber, não de dizer. Com aquelas
palavras de Abigail, Davi teve uma aula de governo, como agir em
ocasiões de desafio vindo da parte de tolos. E é bem frequente ainda hoje sermos desafiados por pessoas tolas, de
atitudes impensadas e precipitadas.
Que
sejamos como Abigail, sábios para pensar, e como Davi, prontos a
receber conselhos, orientações e até repreensões
.
A Davi essa atitude
foi muito útil para um bom governo, e ainda lhe rendeu um casamento
interessante. A nós, pode nos servir para sermos bons servos agora e no Alto
Clamor, e o alcance da vida eterna. Nada de se desprezar, não é?

 

escrito entre:  16/09 a 22/09/2010 – revisado em  23/09/2010

corrigido por Jair Bezerra

 

Declaração
do professor Sikberto R. Marks

O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos
princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas
instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante
superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as
publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja
da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da
salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a
Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações
seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também
a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os
demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e
fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só
povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.

 

FONTE: http://www.cristovoltara.com.br/

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